Pinoia Entrevista Sid Ditrix
- Pinoia

- 22 de mar. de 2021
- 28 min de leitura
Atualizado: 22 de mai. de 2022

Acácia: vocês que estão aí com a gente, boa noite. Eu sou a Acácia.
Ester: eu sou a Ester.
Acácia: e a gente tá aqui através do Pinóia, grupo de impro, Pinóia operários da impro. Com esse projeto Pinóia entrevista, segundo capitulo, segundo episódio. Então você que está aí do outro lado muito obrigada. Essa entrevista vai ficar gravada, convidem todos, todas pra assistir. Curtam, compartilhem que isso é muito importante pra gente. Mas o que é esse projeto, do que se trata o que é essa conversa de hoje?
Ester: ele é um projeto que a gente elaborou pensando em fazer um resgate histórico dessa arte, desse período, dessa modalidade teatral que é a impro, aqui no Vale do Itajaí. A gente quer investigar como que começou a se ter essa proposta da improvisação aqui na região e pra isso estamos entrevistando pessoas que fizeram parte e tiveram sua trajetória marcada por esse estudo, esses treinos que é a improvisação teatral. E depois muito em breve a gente vai poder aprofundar esse trabalho de pesquisa, partindo para essas entrevistas. Esse trabalho é uma ação preliminar pra se buscar mais fontes
Acácia: vocês que estão vendo essa entrevista, segue a gente no Instagram @pinoiaimpro, aqui no Youtube, aí a gente vai poder acompanhar, depois que acabar esse processo de entrevistas, continuar com o material de impro aqui do vale do Itajaí. A gente quer ampliar pra além daqui. Essa entrevista de hoje vai ser muito legal.
Ester: é uma pessoa por quem a gente tem muito carinho, que faz parte da nossa história como artistas, como pessoas. É uma pessoa que hoje trabalha com vários ramos dentro da arte. É um artesão, cozinheiro, amigo, muito maravilhoso, muito iluminado. E hoje ele está aqui conosco. É o Sid Dietrich.
Sid: boa noite lindas, obrigado pelo convite. Boa noite a quem quer que esteja assistindo.
Acácia: Sid, obrigado pelo convite de estar aqui com a gente no domingo a noite, muito obrigada. Vamos começar com o Sid se apresentando, quem ele é, o que faz nas artes, qual sua atividade e depois vamos continuando.
Sid: então, sou um pouquinho do que a Ester falou, sou geminiano, então tem varias áreas de interesse, ando fazendo várias coisas, mas eu sou basicamente ator, sou produtor cultural aqui de Blumenau. Ultimamente to enveredando numa pesquisa mais aprofundada na confecção de máscaras. Então to entrando nessa parte mais artesã, que nunca imaginei. Esse ano vou começar a estudar um pouco a utilização das máscaras, um projeto que foi aprovado ano passado e a gente vai formar um grupo de estudos na utilização de máscaras aqui no vale do Itajaí. Então to bem animado com essa pesquisa. Sou integrante da trupe Perambula, o mesmo grupo que minha amiga Ana Acácia faz parte, desde 2010. Então na Trupe nós tínhamos uma casa aqui em Blumenau, que foi um centro cultural que produziu muitas coisas durante alguns anos. Então ali que foi uma escola em produção cultural, junto com o FITUB e o Colméia, que a gente fazia parte. Então além de estar nos palcos tem essa veia de produtor de gerar, proporcionar espaços em que aconteçam apresentações e encontros entre artistas e público. Sou palhaço também, uma coisa recente, que desde 2019 que começou aparecer mais forte na minha trajetória. Substituindo um amigo palhaço também, e aí começou o movimento do Palharé, que é um cabaré de palhaçaria aqui da cidade. E começamos a apresentar no Palharé desde 2019 até agora. A gente já fez duas edições online, inclusive uma nesse ano. E acho que brevemente é isso. Trabalhei também um pouco com arte educação, dando oficinas pra crianças, adolescentes, de teatro de bonecos. É um pouco da caminhada.
Acácia: então como a Ester já falou, o intuito desse projeto é a gente fazer esse registro do momento histórico, dessa linguagem específica nessa região, mas é claro que a conversa sempre se ramifica, se dilata, porque a gente que ta aqui na área nunca faz só uma coisa, nunca trabalha só numa área. Então esse é o legal de saber das possibilidades que a impro nos leva e que encaminha a gente na vida. Mais que um entrevista isso é um bate papo com o Sid, que também é nosso amigo. A ideia é registrar mesmo. A gente quer que daqui um tempo a gente tenha esse momento histórico da linguagem da impro. Então já conhecemos o Sid, essa figura maravilhosa. Já temos um fã clube que está assistindo, comentando, curtindo. A gente vai começar te perguntando, como foi teu primeiro contato com a impro. Porque as vezes a gente tem o contato mas não sabe direito o que é. Não que não seja, mas engloba tudo como teatro, mas não sabe especificamente que é uma linguagem, uma técnica. Então qual foi teu primeiro contato, ou assistindo, vendo, antes de fazer necessariamente a impro, como foi isso?
Sid: eu comecei a fazer teatro com quase 20 anos, foi uma coisa mais tardia, sempre tive vontade, mas comecei a fazer tarde. Quando comecei a fazer decidi continuar e fui. Meu primeiro contato com a impro, foi quando eu nem sabia que faria teatro e foi com os Barbichas, no Youtube. A gente via muito Youtube e muito Barbichas eles que acho que despontaram no cenário nacional com seus vídeos. Então a gente começou a ver por ali. Digo a gente pois eu, Helena, a gente matava um pouco do nosso tempo vendo esses vídeos. E daí um contato mais aprofundado foi quando eu entrei na Furb como aluno e a gente tem a disciplina com a professora Pita Belli, de improvisação teatral. Então foi quando eu comecei a entender mais como funcionava a improvisação no teatro, foi com a Pita. Teve esse primeiro momento como público, onde não prestamos atenção em técnicas ou no jogo em si, só queremos nos divertir. E então começamos a jogar em sala de aula, com a Pita, e não são jogos exatamente da impro, mas são jogos inicias pra começar a entender a construir histórias do nada, com outras histórias coletivas, com outras pessoas junto.
Ester: nesse primeiro contato, tu tens alguma lembrança, algo de algum episódio que tenha te marcado, que hoje tu poderia compartilhar com a gente?
Sid: eu adorava a disciplina de improvisação, era uma disciplina que pra mim que estava começando no teatro, podia me jogar, e eu não tinha nenhum medo. Passava um tempo se exercitando com todos, jogando ao mesmo tempo e num outro tempo a gente começava assistir alguns jogos. Ela falava, dois atores no palco e eu era sempre o primeiro a estar em cena. Não tinha medo nenhum, era uma total liberdade. Acho que é uma das lembranças que eu carrego, é esse desfrute da sala de aula, de poder jogar livremente, sem nenhum pudor, bem essa coisa de quem ta começando, de quem não construiu ainda nenhum julgamento sobre o que ta fazendo. Então no começo a gente tem essa liberdade, que eu acho que vamos perdendo depois. Conforme vamos construindo uma noção, conforme vamos entendendo nossas limitações, começa a construir uma barreira as vezes. Mas naquele momento era muito gostoso.
Acácia: eu sinto um pouco disso também. Quando a ente começa tem um pouco desse medo, as vergonhas. Mas é livre, como é isso? E depois a gente vai aprendendo um pouco do que a gente precisa pra manter um jogo. Porque depois que a gente vai criar a cena, um espetáculo em cima desses jogos a gente vai entendendo que nem tudo é legal de fazer, ou que as coisas precisem ter outros caminhos pra que a cena seja compartilhada e aconteça. Até que a gente perde e volta a se tornar legal e orgânico, a gente passa por aquele período de medos, de bloqueios, é muito doido, muito interessante.
Ester: esse medo, volta e meia vem. Acho que é meio quem um processo de aprofundamento. De você ter um momento de muito desfrute, de ta rolando e logo começa a ver que não, que pode ter algo a mai. Aí começa a vir um período meio de, nossa não vai rolar, não ta dando certo. Até que começa engatar de novo alguma coisa, sabe? Acho que é meio cíclico assim.
Acácia: como a gente tá sempre estudando e buscando coisas e a impro é a coisa que tá vindo muito. Quando a gente tá assim confortável, a gente começa a estudar uma coisa nova, nem que seja um jogo novo que nos traga algo novo e já volta um pouquinho. É muito legal lembrar desses processos. Sid, conta pra gente então, tu teve esse primeiro contato com os Barbichas, semana passada a Nati falou com a gente, que eu me lembro muito, que fomos em uma oficina em SP como Márcio Balas, e ela falou, nada mais nada menos que se tornaram os Barbichas. Referência pra muita gente que tá começando, o público em geral. Depois tu entrou na faculdade, teve esse primeiro contato com a Pita, e como foi disso pra algo mais profissional. Como tu começou a jogar impro, desenvolver, estudar impro na tua profissão?
Sid: depois desse primeiro semestre de improvisação, a Pita, com essas pesquisas, ela formava grupos. Eu lembro que na universidade ela me chamou pra fazer parte de um grupo de improvisação, que era um grupo que treinaria uma vez por semana. Então comecei a treinar com esse grupo, tinha muita gente, alunos e ex alunos da Furb. Tinha a Nati, a Aline, Renata, o Allan acho que também jogava, o Ramon. E daí a gente começou a treinar nesses períodos de tarde. Que foi onde começou a dar aquele frio na barriga, pois eram mais jogadores, mais gente que treinava. E onde a gente começou a treinar a impro com jogos mais específicos, que eu nica tinha feito na sala de aula. Na sala de aula era muito outro lugar da improvisação e quando a gente começa a treinar a impro, e a Pita tinha essa finalidade acho, de treinar atores pros jogos depois nas apresentações, pois os alunos dela sempre estavam apresentando. Eu lembro que semana passada vocês falaram do Bareco e eu entro nesse grupo de improvisação quando a galera ainda apresentava no Bareco. Eu não cheguei a jogar no Bareco, lembro que a galera jogava e vinha falando das memórias, das apresentações, de casos de cena.
Acácia: Sid, qual ano foi isso?
Sid: foi 2010, 2011. Logo no meu primeiro ano de universidade. Acho que a Pita me chamou, pois como eu era sempre o primeiro que ia, de dois atores no palco, ela pensou, esse ator que se joga na piscina de qualquer jeito, eu vou chamar ele. E daí ela chamou pra jogar e foi um processo muito rico. Era muito divertido e era uma coisa que eu nunca tinha feito na vida. As minhas referências eram muito poucas, tinha pouquíssimas referencias, era só o que eu via no Youtube. Então eu comecei a construir essa técnica, junto nesses grupos de estudo. Foi muito legal, eu lembro que a experiência. Eu morria de nervoso de ir pros ensaios. Mas mesmo assim, quando estava lá, era muito desfrutado.
Acácia: gente que tá aí assistindo, podem comentar, fazer perguntas que depois vamos fazer elas pro Sid.
Sid: vou continuar que lembrei de outas coisas. Eu lembro que tinham uns jogos que a Pita fazia, e ela experimentava bastante com gente, eu lembro que a gente ia ensaiar sábado a tarde e ela trazia jogos que ela nunca tinha feito e íamos lá experimentar. Eu não lembro como passou disso pra Pita me convidar para participar a entrar pro Fãs de improviso. Que era um grupo de improviso que ela coordenava aqui em Blumenau. E eu acho que demora um tempinho, eu entro eu acho fim de 2012 pra treinar e jogar no grupo de improvisação. Que tava a Natália, a Aline, o Allan, o Ramon, a Acácia. E a gente começa a treinar e jogar uma vez por mês na fundação. E foi um processo muito doido, muito legal.
Ester: o pessoal já ta lembrando aqui, que jogava na fundação, que tu sempre foi plateia em tudo, que já estavas envolvido.
Sid: eu era bem plateia, até antes de eu começar a fazer teatro. Eu comecei a fazer teatro em 2009 e daí eu lembro que o Sesc tinha a aldeia, o palco giratório e eu comecei a frequentar tudo. Que participava de reuniões da tbt, sem nem estar fazendo teatro. A galera tava se reunindo depois de uma apresentação, e eu fiquei. Bem metido, fiquei assistindo a reunião.
Acácia: é assim, a gente tem interesse tem que se infiltrar, se convidar. É isso. Quando a gente vê , já ta la dentro, não tem mais volta.
Ester: eu também me identifico muito com isso. Eu assistia muito. Eu lembro de um Fitub em que o pessoal tava na plateia, tava discutindo a próxima peça e tinha que sair correndo e eu saí correndo com a galera, os atores. Saí correndo com todos. E era uma peça de Shakespeare, lá na Furb, no pátio. Eu lembro de várias coisas assim e depois que eu fui fazer teatro. Mas já tava ali.
Sid: aí que o bicho pica e a vontade aparece, de fazer.
Ester: a gente tem a primeira pergunta da plateia, e ela vai casar com esse momento que é assim de a gente querer saber. A Natalia ta perguntando: como você vê a relação da improvisação com as técnicas de máscaras. E se quiser falar sobre outros nuances de trabalho que tens hoje, como que a impro se relaciona com elas, também é legal.
Sid: fiquei um pouco pensando nisso, pois acho que a improvisação é uma das bases do trabalho da atriz e do ator, a gente tá o tempo todo improvisando. Até antes de fazer uma peça, a gente primeiro improvisa e experimenta milhares de coisas até chegar numa coisa que a gente se satisfaça, que o diretor se satisfaça e a gente possa usar numa cena. Então o trabalho com improvisação, essa base, me ajudou muito a ir pra cena em qualquer trabalho que eu faça. Inclusive até contei uma história que na Argentina, a gente foi fazer um exercício avaliativo, nosso primeiro mês. A gente passava por vários testes, era avaliado em alguns quesitos. E tinha um exercício que era de improvisação, era entregue algo na mão e tínhamos que vender isso. Dar mil usos pra coisa. Então eu tava super nervoso, pois a gente tinha faltado no dia que ia ser, a turma inteira já tinha passado, tinha feito o exercício e ele falaram que iam fazer todos os dias esse exercício com a gente. E daí a gente chegou num dia sem avisar e falaram que era a ve de quem ainda não tinha jogado esse jogo, de quem ainda não tinha feito fazer. Eu tava muito nervoso, pois era em espanhol e tinha que improvisar e falar em espanhol. Uma turma que não me conhecia direito. Foi um dos momentos mais tenebrosos. Mas eu lembro que ganhei uma frutinha, que o professor pegou caída do chão, me deu na mão e falou pra vender isso. E daí eu acho que essa base da improvisação foi vindo eu joguei, foi fluindo e o jogo com o público aconteceu e foi super massa conseguir desfrutar do momento. Eu acho que a improvisação ta sempre ali no trabalho do ator. Naquele momento meu estudo na impro tava presente, por mais que eu achasse que não tava, por mais que eu achasse que tinha sumido, pois fazia anos que eu não jogava mais, mas a improvisação está presente em tudo. E sobre as máscaras, na hora de confeccionar é muito natural. Minha experiência maior agora, é mais na confecção dela. É muito de pegar na argila e começar a moldar aquilo e começar a ver o que sai. Então também é um jogo de improvisação ali com um material que eu tenho na minha frente. A improvisação é muito presente, desde o momento em que a gente pega uma máscara neutra, em sala de ensaio, que é uma máscara pré expressiva em que a gente faz exercícios d improvisação, pra descobrir a pré expressividade do corpo, até quando a gente pega uma máscara que é feita pra cena, uma máscara expressiva inteira. As máscaras propiciam um jogo maior cm improvisação pra gente poder construir uma cena. Dentro das atuações e de espetáculo, de pegar um texto pronto, as mascaras são uns dos elementos que mais proporcionam um momento pra gente poder jogar com elas, experimentar o que elas dizem, pois elas dizem muitas coisas. A gente olha pra elas e elas nos dão muita coisa e aquele jogo de a gente se esconder atrás dela pra poder revelar o que ela trás e a base pra isso é a improvisação mesmo.
Acácia: Sid, voltando um pouco antes, pra deixar registrado aqui. Tu foi convidado pra participar do grupo Fãs, que era dirigido na época pela Pita. Tu ficasse no grupo quanto tempo?
Sid: não sei direito, mas acho que foi entre um e um ano e meio. Acho que foi no meio de 2012 o convite e a gente jogou até o fim de 2013. Então foi um pouco mais de um ano. Nati falou na entrevista dela, que era toda semana, todos os domingos, mas acho que era um domingo por mês que a gente jogava. E a gente tinha nosso público. Tinha um público cativo sempre com agente. O público de Blumenau gosta bastante de improviso.
Acácia: eu acho que a gente jogou toda semana, depois era uma vez por mês. Foi uma agenda assim meio doida. Que a gente tava experimentando ainda.
Sid: pode ser. Eu lembro que eu jogava um vez por mês.
Acácia: dentro do fãs, a Pita proporcionou pra gente experimentar, dentro da linguagem da impro, vários gêneros, vamos dizer. Teve um momento em que ela trouxe oficinas, oficinantes maravilhosos pra gente. E dentro disso a gente trabalhou um tempo da técnica da impro, com a não comédia baseada no espetáculo maior. A gente trabalhou um pouco isso, de ser algo improvisado, mas dramático. Quero saber o que tu lembra dessa época, e como te marcou. Pois foi um momento bem singular dentro dessa pesquisa. Eu lembro que a gente conversava bastante depois de cada ensaio. Ala um pouco pra gente sobre isso.
Sid: eu tava lembrando disso. Além das apresentações a gente treinava todas as semanas. Era semanal os treinos e a Pita realmente começou a trazer gente. Então treinamos com Mariana Muniz de BH, que é uma improvisadora de renome aqui no país, que difunde a improvisação, junto com a Pita e outras pessoas. A gente fez um treino com o Gustavo Miranda, Lauro Zanatta. Não lembro se mais pessoas, mas lembro que foi bem intenso isso. E a gente começou a pesquisar a plataforma de long forme. A gente tava com a idéia de fazer um espetáculo , de pesquisar essa linguagem, que era uma plataforma de um espetáculo de improvisação longo, que não pesquisava comédia necessariamente, pra quem ta vendo e não entende, long forme é isso, é um espetáculo em que talvez era um autoria só, do começo ao fim. Não um espetáculo com vários jogos e várias cenas. Então a gente começou a estudar isso, ela começou a trazer uns exercícios de plataforma pra gente, uma plataforma pré estabelecida, do tipo 4 jogadores n as extremidades, um no meio, o do meio não sai e os quatro m volta entram e saem pra construir a história com o jogador do meio. Eu lembro desse exercício que marcou bastante, pois as cenas erram longas, duravam de 20 a 15 minutos até a gente concluir. A Pita com direcionamento dela, as vezes ela falava, pra ir finalizando, buscar uma conclusão para a história. E era isso, entre erros e acertos a gente tava tentando, tava experimentando, mas era muito legal. Por mais que as vezes não desse certo, que fosse experimentação que não levou para um espetáculo, era um período em que a gente tava ali treinando todas as semanas e com pessoas de renome. Eu lembro que o Gustavo veio pra cá e a gente treinou a glumas plataformas pra visão de long forme, algumas improvisações longas. Foi muito rico. Eu agradeço por ter estado presente naquele momento, pois era incrível.
Ester: o comentário da Natália: teve várias fases de jogo no Fãs. Fizemos de 15 em 15 dias, depois uma vez por mês, fizemos muitas Tbt, muita apresentação em escolas. Inclusive eu tava comentando com as meninas, eu acho que a primeira foi em 2009. Primeira do Fãs em cartaz, do Fãs na Tbt. Muita coisa
Sid: eu nem tinha começado a fazer teatro ainda. A gente tapou muito buraco na Tbt. Eu lembro que não tinha espetáculo eles chamavam o Fãs.
Ester: de que quando não tinha, algo acontecia, por exemplo, muito raramente, que algum grupo não poderia apresentar, perguntavam pro fãs se poderiam ir. Acho isso muito legal, que é a prontidão do jogo, também se revela na prontidão do elenco, pra improvisar pra apresentar.
Acácia: isso que o Sid falou, a gente mantinha uma frequência de treino muito grande, havia essa possibilidade também. A gente sempre tava em movimento. A Pita fazia essa movimentação de ensaio semanalmente, as vezes mais de uma vez por semana. Então é muito legal isso, de ter esse grupo, esse movimento fazendo a impro na cidade e o público vindo e reconhecendo. Foi um momento muito legal pra gente.
Sid: era muito rico. Era muito bom poder estar treinando. Acho que a improvisação só traz benefícios pro ator e pra atriz.
Ester: tem um comentário da Márcia Holetz, que achei bem engraçado, pois como que o público se relaciona com a improvisação quando tem essa constância: na época a impro era um diferencial aqui em Blumenau e o público era super participativo também. Tinha toda uma sintonia com a plateia. Muito legal.
Ester: pergunta da Elis: Sid: o que mais te emotiva dentro da impro?
Sid: que pergunta profunda. O que gosto muito da impro, eu sou um pouco nervoso com ela. Mas como a Natália falou, o nervoso passa e a gente consegue ir pra um apresentação e ficar mais tranquilo. Pra mim nunca passou, eu passava dois dias antes da apresentação de terror. De frio na barriga, que era terrível, eu não gostava. Mas isso dava lugar pra um lugar de fluição, o jogo era muito gostoso, era muito bom ta jogando e valia a pena todo o nervoso a aflição. Quando a gente conseguia destravar a cabeça, que eu acho que muito desse nervoso é um julgamento interno, mas do que nada. Mas quando a gente conseguem destravar e consegue jogar, realmente construir em coletivo com as pessoas que estão jogando com a gente, é muito gostoso. Eu acho que isso é o que mais motiva, pois improvisar é um lugar muito livre, muito maravilhoso, na atuação. Até quando a gente ta improvisando pra construir uma cena em um trabalho, não necessariamente em espetáculos de improvisação. As é um lugar de liberdade muito grande. É um lugar de desfrute muito grande. Então pra mim, quando eu consigo acessar esses lugares, quando não tem cobrança e não há aquela sensação de estar travado, é muito gostoso. É um prazer, realmente.
Acácia: teve algum espetáculo durante esse teu período no Fãs, ou depois da tua trajetória m que tu ou o grupo se utilizou da improvisação pra construir o espetáculo, ou pra desenvolver personagem, ou algo assim. Como ela vem te acompanhando, não só nos jogos ou plataforma. Mas como a improvisação vem te acompanhando como ator, até hoje?
Sid: eu lembro que pra construção de espetáculos não exatamente. A improvisação ta sempre ali, como falei. A gente que faz teatro ta improvisando sempre. Mas essa técnica da impro, não exatamente, mas eu lembro que na Trupe a gente treinava muito a improvisação, a gente se reunia, nossos ensaios e treinamentos. A ente morava junto, então era muito tempo e a gente aproveitava esse tempo pra produzir alguma coisa. A improvisação era presente eu lembro que tu coordenava alguns ensaios de impro, pra gente construir uma história juntos, uma narrativa juntos, sem nada premeditado. Eu lembro que isso sim fazia parte do nosso trabalho, como treinamento, como espaço de botar o corpo em ação, mais do que construir alguma coisa.
Acácia: agora que tu falou, a Rádio Kkd, que foi nosso espetáculo usou muito no começo. Antes de chamar a Zanza e o Jean pra dirigir, pra construir os personagem e a dramaturgia, a gente improvisou muito, dentro até da técnica. Cada um propunha dentro de algo, de um parâmetro e a gente foi desenvolvendo muita dramaturgia na mesa e na sala de ensaio, a partir da improvisação.
Sid: a gente tem até os ensaios gravados. A gente tem esse material de ensaio que a gente concebia a cena, dois atores no palco e a gente tentava improvisar ali na hora como seria a construção dela.
Ester: eu acho doido, porque a visão que eu sempre tive da Trupe, foi que era um grupo que tinha muito essa prontidão. E agora me veio muito que vocês tiveram muito esse contato com a impro. Foi algo que tenha marcado a formação de vocês e os estudos até hoje como atores e atrizes. E isso é interessante, pois quando eu comecei a conhecer o pessoal da trupe, eu via muito presente essa preparação, esse vamos topar. E esse nível de qualidade sempre me chamou muito a atenção. Uma coisa que vinha, me trazia uma sensação bem específica nas produções da Trupe. E isso me remeteu, quando vocês falaram da rádio kkd, do processo. Isso é muito interessante de sabe, pra mim. Porque isso me deixa por dentro do que evoca essa sensação em mim.
Acácia: falando agora, eu me dei conta, o Sid se deu conta, de que sim. De que em geral a gente utilizava muito da improvisação nos trabalhos da Trupe. Tanto os que iam pra cena quanto os que não. Tava presente todo tempo, a técnica da impro. As vezes a gente planeja uma coisa, pensa uma coisa e a gente não se da conta da onde o seu próprio trabalho parte. Como isso ta enraizado na gente como artista. E que as vezes a gente não se da conta disso.
Sid: eu tava lembrando agora, que na Trupe, a gente tinha improvisação até nas apresentações. Que muitas vezes a gente, no começo era muita rua, muita intervenção urbana. Então nocomeço, as nossas intervenções eram meio que combinava, não totalmente. Se olhava no olho e falava, então nosso projeto vai ser esse. Mas a apresentação em si acontecia no improviso, era uma coisa que a gente se olhava, combinava uma coisa, mas acontecia no improviso. Estava presente até nas nossas apresentações.
Acácia: a gente umas perguntas bem legais agora da Nati e da Angie
Natália: falem da relação da improvisação com o trabalho de teatro de rua e teatro na rua.
Sid: realmente em algumas pessoas e alguns teóricos que pegam um pouquinho e fazem questão de bater nessa diferença, de teatro de rua e teatro na rua. Existe uma diferença que é, por exemplo, levar um teatro que acontece no placo e fazer acontecer na rua, mas é um teatro com um uso do espaço só, geralmente aquele teatro que tem uma delimitação, em que o público não faz parte muito bem, então isso eu acho que muita gente fala que é teatro na rua. Que é um teatro que poderia estar sendo feito no palco, mas a escolha estético é feita na rua. Acho que Carrera é uma das pessoas que veio a definir isso. Que o teatro de rua é algo que dialoga como espaço urbano e que insere ele na dramaturgia da cena. Na dramaturgia do ator, do espetáculo. Ele faz esse apontamento da diferença. E como eu alei, pra gente da Trupe, pelo menos com a minha experiência com teatro de rua, a improvisação era muito presente. As vezes a gente ia pra cena sem delimitar muita coisa. Só fazendo uma combinação de plataforma, de recorrido de onde íamos passar. A gente chegou a invadir dois desfiles cívicos na cidade de Blumenau, com políticos, candidato a prefeitura , em ano eleitoral. E a nossa intervenção era invadir um desfile, se inserir no meio, no intervalo entre uma escola e outra, um bloco e outro. Onde tinha o candidato a prefeito, sua esposa, s carros eleitorais, gente berrando o numero, nome de votação. A gente ia entregando santinhos pras pessoas. Isso tudo acontecia no improviso. Como a gente interagia, o que acontecia ali, era tudo do momento, na hora. O que a técnica da improvisação dava um amparo pra gente. por mais que a gente ainda estava começando.
Acácia: de como o local também interferia. a gente tava aberto, fazia pequenas plataformas em cima do que a gente queria, começo, meio e fim do teme e de cada lugar que a gente frequentava e ocupava, interferia drasticamente, não só nos formatos, mas até na dramaturgia, de a gente alterar temas, questões daquele jogo. A partir do espaço físico que estávamos. Se a gente tava na prainha era uma coisa. Na fundação, na rua, como isso interferia. e como o Sid fala de que sim, a gente tava ali improvisando, como muitos grupos, muitos atores e atrizes fazem, mas como a partir da técnica da impro isso foi se alterando e a gente foi se dando conta dessa construção. Que era de fato uma escada que vamos nos dando conta de coisas, como artistas, como dramaturgos, naquela cena daquela improvisação. De como a gente vai se enriquecendo a partir da técnica da impro. Tudo isso que estamos falando tem tudo a ver com esse aprendizado, esse início, com essa descoberta da improvisação e da maneira como a gen te foi desenvolvendo ela do que a gente queira dentro do nosso grupo. Ta tudo muito ligado. Muito legal se dar conta disso agora, nessa conversa.
Ester: acho que isso tem a ver com a resposta da pergunta do Luis: a improvisação pode andar junto com outras áreas das artes? Exemplo, impro e palhaçaria..
Sid: com certeza. Como eu falei, pra mim eu acho que a improvisação é um dos fundamentos, das bases do ator e da atriz. Eu não consigo pensar teatro, essas outras áreas, ou dentro das artes cênicas, temos a dança, a dança improvisação, que é uma modalidade que surgiu nova. A palhaçaria, super também acho que é um dos lugares que mais me encontro confortável pra improvisar hoje em dia. É um dos lugares de mais desfrute ra mim. Acho que super andam juntas. Inclusive não consigo pensar elas separadas. Agora pensando na técnica da impro, que é essa técnica de jogo, mais específica dessa linguagem, aí eu também acho que elas podem andar juntas se a gente quiser que elas andem. Se a gente quiser fazer u a mescla telas, podemos fazer. Porque eu acho que tem essa improvisação que a gente tava falando antes, dessa diferença da improvisação e da impro. Que a improvisação e essa técnica que a gente desenvolve pra poder estar disponível pro jogo, aprender a lida com equívocos que aconteçam e a impro que é essa técnica de linguagem estética mesmo, de jogos, isso que o Fãs fazia, que os Barbichas fazem.
Acácia: sim qu eu acho que vão dando lchão pra gente jogar. Quando a gente vai entendendo que a improvisação livre é muito interessante mas também pode limitar muito, porque ela é isso, por mais que ela seja livre, o que que é essa improvisação. Quem ta ouvindo acha que tudo é improvisado. Mas a partir do momento em que a gente vai estudando e vai experimentando ela no corpo e as possibilidades dela, é isso que o Sid fala, por mais que seja algo livre, ela também tem suas limitações, para que o jogo aconteça, para que eu de a voz para os meus companheiros, minhas companheiras, pra dramaturgia, pra rua, pra pessoa que tá passando. Eu também preciso entender certas coisas pra não ficar engolindo aquela técnica e não ser engolido. Acho que tudo é um bloco, a gente vai aprendendo, descobrindo, temos muito que descobrir. A gente ta iniciando nossa pesquisa. Mas é um bloco. Eu sinto que a gente ta encaixando e as peças vão buscando lugar pra encaixar e isso é muito legal e interessante pra gente como artista. Independente da linguagem, como o Luis pergunta, a palhaçaria, a dança. Na Trupe a gente utilizava muito da dança improvisação com o Jão, que trazia pra gente o circo improvisado, a técnica da acrobacia. Então a gente vai se construindo a partir dessas linguagens.
Ester: pensando nessa linguagem dos jogos, a Angie quer saber: qual seu jogo favorito mo treino de impro?
Sid: eu tava pensando hoje sobre um jogo que eu detestava jogar, pois eu era muito ruim nele. era o jogo das palavras sem S. pra mim era muito difícil. Meu cérebro não dava conta de processar palavras sem S. aí não sei se é um jogo igual das perguntas. Até que eu entendi que o jogo das perguntas era divertido errar, foi um processo. Mas o jogo do S era sofrido pra mim
Ester: eu tenho uma teoria sobre o jogo do S. que ele não é feito pra ser apresentado. Porque é difícil fazer o jogo manter um ritmo interessante pra plateia, porque tu para pra pensar. Ele exige agilidade de pensamento e de aceitação. Eu acho que ele é muito sobre prontidão dos corpos para entrar em cena e sair e manter, a liberdade daquilo que tá sendo eito. Porque ele é um bom jogo de treino pois vai te treinar a prontidão acima de tudo. Mas ele é muito difícil de manter ele pra plateia, porque é até difícil da plateia acompanhar. Pensa, tudo que é sem S. eu acho difícil manter o ritmo. É a minha experiência com esse jogo. Segundo algumas pessoas que trabalham a muito mais tempo com improvisação, ele não é feito pra se apresentar, mas eu adoro apresentar ele. Queria na minha vida manter diálogos só com perguntas de tão divertido que eu acho.
Acácia: e teve um boom no jogo das perguntas, na mídia, na cena, do S também, não só a gente, mas a um tempo muitos pesquisadores, ou grupos se deram conta disso, que talvez ele não seja um jogo pra cena. Mas de fato ele é um jogo difícil de construir história, um personagem. Pois tu ta o tempo ali, saindo, entrando. Como o Sid fala, é um jogo pra errar, pra brincar. Sid, qual o jogo que tu mais gostava?
Sid: era um jogo de cena, eu acho. Eu gostava muito do abecedário, que também era um fácil pra mim. E gostava muito do Oráculo, embora ele era difícil, mas eu gostava.
Ester: o oráculo, eu acho que tem que ter as pessoas certas pra fazer.
Sid: ele era muito difícil, mas o público se divertia horrores. O público se divertia horrores.
Acácia: porque bota a gente pra f... o público adora
Sid: um jogo que eu adoro ver, não cheguei a jogar, mas eu adoro ver. Que vejo o Remanescentes jogar, não me lembro o nome, mas é o jogo do quadrado. Eu adoro ver esse jogo, é um dos meus favoritos.
Acácia: eu adoro jogar ele. É um dos meus favoritos atualmente.
Ester: acho que o apito, em todos os jogos tem que estar muito em cena também. Mas o jogo do quadrado é de um desafia dramaturgo muito alto. Eu acho que tem que ter um tempo muito certeiro pra jogar. Muito de quem apita, porque o apito vai conduzir toda a dramaturgia da coisa.
Acácia: e é uma conversa entre o grupo inteiro.
Sid: posso fazer uma pergunta pra vocês que jogam esse jogo? Como é a cabeça de vocês em entrar e sair de uma cena. Lembrar de inde parou. Da muita confusão mental ou é bem fácil de resolver.
Acácia: a outra só ri. Eu me divirto muito nesse jogo. Eu gosto muito de jogar, porque é um jogo que eu posso trazer muito de tudo. Eu adoro ele pois não me limita tanto, ao mesmo tempo que sim. Ao mesmo tempo que tu tens que prestar atenção nas outras cenas, pois a gente já combina antes, qualquer merda que aconteça, a gente pode interferir na cena do outro se for preciso. Mas a gente prefere que não. E querendo ou não, é muito interessante quando as cenas, por mais que sejam totalmente distintas, em algum momento elas tendem a conversar entre elas. Mesmo que não. Pra mm é isso, tem que ta lembrando da cena e vendo. É difícil mas eu me divirto tanto que eu só fluo nele. eu gosto muito de jogar o quadrado. Um dos meus favoritos de jogar.
Sid: eu adoro assistir.
Ester: é entrar pesando, tem que ser curto e tem que jogar alguma coisa aberta, pra próxima. E aí eu já me bloqueei muitas vezes. E aí sai. Eu tem que parar u não, eu não sei ainda. Eu to tentando descobrir esse jogo ainda. Eu não jogava ele antes de entrar n remanescentes eu joguei ele muito pouco antes. E o Jão ta perguntando como é o jogo do quadrado?
Ester: imagina um quadrado no palco em que tem dois jogadores na frente e tem dois atrás. Eles vão começar uma cena com um tema da plateia, vai dar o apito, os dois da frente começam. O jogado que estava aqui, vem pra cá. O que estava atrás, vem pra lá, as pontas do quadrado vão rodando. Vão ser quatro cenas que serão iniciadas. Quando chegar naquele primeiro par que estava na frente, eles vão ter que continuar a cena de onde pararam. Então é um jogo que exige muito. A gente já fez de rodar, rodar, rodar o quadrado. É o estudo da dramaturgia eu acho que está sendo bem focado no grupo, também como improvisadoras, eu sei que a Acácia está nessa busca. Eu também estou. Puxando muito pra isso, pra que a gente possa aperfeiçoar isso melhor. Pois visualizar as ideias te ajuda na prática também. Tem uma pergunta do Luis: o jogo de improvisação sempre tem que ser cômico?
Sid: não necessariamente. Tem que ser o que e gente busca e que seja. Inclusive esse que a Acácia e a Ester estão falando, eu acho que se a busca ta focada em construir uma dramaturgia da qualidade na narrativa dessa historia, não necessariamente ela precisa estar focada na comicidade. Ou ea pode estar focada na comicidade sim. Eu acho que as veze são recursos. Por exemplo, a gente pode focar na narrativa. A cena não ser engraçada. Eu tinha muito isso, d eu ter que ser engraçado. As vezes vale muito mais fazer uma boa historia em que o público ta dentro, as vezes soltar uma piada ou outra, ou arrematar a cena, finalizar ela com uma piada, do que ela ser engraçada, ou estar inteiro buscando risos.
Acácia: como que tu vai manter. Ai tu monta um stand-up cômico talvez e vai trabalhando nessa dinâmica de piada.
Sid: stand-up tem mito disso. A gente ve muito em grupos que buscam o tempo inteiro a piada na cena.
Ester: eu acho que se a pessoa chega com a piada pronta, já quer fazer aquilo e da um jeito de colocar aquilo la dentro e amarrar, as vezes não fica tão interessante pra quem joga. Pra quem assiste pode até buscar isso, esse jeito, esse estilo. Mas realmente fica um pouco complicado pra quem ta em cena junto, pois tu acabas privando o outro da escuta, quando tu já chega no palco pronto e as vezes não encaixa na proposta. Mas isso é uma coisa que eu percebo muito em nós, daqui da Trupe, que tem isso muito explícito pra si. De que nem sempre aquilo que já ta pronto ou que é engraçado, precisa ser colocado em cena. As vezes vale mais a pena se construir algo totalmente diferente daquilo que se imaginou primeiro, pra ver o que vai fazer com isso depois, como vai ser colocado.
Acácia: vamos já se encaminhando pro final da conversa.
Ester: uma pergunta do Lucas: como não cair no lugar do racional e ser orgânico nos jogos?
Sid: essa é uma super boa pergunta. Eu acho que cada ator e atriz vai encontrando um caminho, mas primeiro de tudo eu entenderia que tudo é um processo, primeiro entender isso. Por mais que hoje talvez, não seja orgânico e eu to muito racional, eu entendo que eu vou construindo, eu vou treinando, e isso vai deixando de ser tão racional e passando a ser mais orgânico. Pra mim o grande entendimento é esse, de que tudo é um processo, uma construção. Mas tem muito aquilo que a gente fala, e que a gente ouvia muito a Pita falando, que é o estar aqui agora. Parar com o auto julgamento. Arar com ideias premeditadas e jogar com aquilo que vem na hora. De verdade. Treinar pra isso acontecer, pra você parar de se punir quando você erra. Estar ali ouvindo os colegas o tempo inteiro, fora e dentro de cena. É muito difícil é uma caminhada.
Acácia: assim como a impro é muito difícil trabalhar com esse orgânico que a gente tanto fala. Com espetáculo fechado e codificado é tão difícil ou mais, porque é tu repetir sempre a mesma coisa de uma maneira onde tu com o artista flua essa sensação, essa historia dentro de ti, como se fosse a primeira vez. Acredito que seja tão interessante a busca quanto a impro. Talvez a impro ainda traga algo mais espontâneo pra gente do que m espetáculo onde a gente já ta fazendo a alguns anos, algum tempo. A impro ainda traz um pouquinho mais da espontaneidade, ou algo atual. Como a atualidade interfere também pode ser uma conversa que a gente fique horas falando. Como o dia de hoje, a semana de hoje interfere e contempla o jogo de improvisação. Como os artistas de improvisação pegam dessas notícias e jogam . acho que tudo isso ajuda muito na organicidade da coisa. Eu queria só dizer que a gente tava falando antes de piada , não piada, de ser cômico ou não. Pra mim não existe o certo ou o errado, de ser bom. Uma boa maneira de jogar ou uma maneira ruim de ogar. Vai mito da decisão do grupo. Cada grupo estuda uma linguagem, um gênero, uma técnica, uma maneira de fazer um jogo da impro e vai trabalhar e estudar aquilo. A impro é muito do estudo com o público principalmente, muito da sala de ensaio, muito de confiar em quem está assando os exercício pra você. Pois daí a gente sai um pouco dessa coisa do medo e se auto punir, de se jogar, pois eu também confio no meu coletivo, em quem ta me instruindo. Só pra ente não sair daqui achando que existe um bom, um ruim. Não necessariamente. Vai muito do processo de cada grupo, cada artista
Ester: é interessante pontuar isso. A gente ta agora entrando em contato com vários improvisadores, e cada um tem um jeito de fazer. E dependendo do jogo, o objetivo é tal, tal. É muito importante pontuar isso
Acácia: a gente quer muito agradecer o Sid de se disponibilizar em um domingo a noite, em estar aqui conversando com a gente. o Sid é um artista da cidade muito importante, um produtor cultural muito importante. Ele tem uma memória muito boa pra datas e eventos. E foi muito legal conversar com ele, pra gente também ouvir, como é pra outros artistas que já passaram pela intro e hoje não necessariamente estão fazendo a linguagem da impro mas que utilizam da linguagem da impro no seu trabalho. Isso também é muito importante como improvisadora. Agradecer a todas as pessoas que estiveram com gente, as que vão assistir depois. Muito obrigada. É mito importante que curtam, compartilhem, comentem, é muito importante pra gente artista desse lado, principalmente nesse período de pandemia em que a gente só pode ta aqui desse lado. Então agradecer muito ao Sid, a Ester. E que semana que vem, a gente tem a última entrevista desse projeto, com uma pessoa muito legal também. Mistério... sigam a gente nas redes sócias.
Sid: eu quero agradecer vocês pelo convite. É sempre bom conversar uma conversa tão gostosa. Relembrar essas coisas. Eu passei os últimos dias lembrando da época que eu jogava e isso foi muito gostoso, de lembrar com mais detalhes, coisas que eu não lembrava a tanto tempo. Agradeço muito a conversa, eu ficaria mais tempo. Muito obrigado a vocês duas por estarem fazendo esse projeto. É muito massa pra cidade e pra nós termos como registro. O remanescentes estão seguindo com a improvisação e sei que mais coisas virão.
Ester: muito obrigada Sid. Obrigada a todos
Acácia: esse é o grupo Pinóia idealizado pela Ester. Esse projeto é idealizado pela Ester. Pinóia operários da impro. É um gruo que além de jogar, pesquisa e está qui fazendo esse projeto muito legal de memórias. Muito obrigado Pinóia.
Entrevista realizada no dia 21/02/2021.
Link para a entrevista: https://www.youtube.com/watch?v=WGunNiOEUTI&t=3622s
Projeto viabilizado por meio da Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc (Lei nº14.017/2020) no município de Blumenau.



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