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Pinoia Entrevista Nathália Curioletti

  • Foto do escritor: Pinoia
    Pinoia
  • 22 de mar. de 2021
  • 31 min de leitura

Atualizado: 22 de mai. de 2022



Ester: Amiga Acácia, você tem que desmontar.


Acácia: boa, boa, boa noite. Boa noite pessoal, quem ta aí acompanhando a gente, quem vai acompanhar depois, muito boa noite, feliz carnaval, mesmo que saia do calendário a gente ta aqui com o nosso bloquinho dentro de casa montados pra conversar, pra se encontrar on-line, pra se divertir um pouquinho e falar sobre teatro. Esse projeto que a gente vai apresentar hoje chama Pinóia entrevista, foi viabilizado através da Lei emergencial aqui do município de Blumenau, Aldir Blanc e foi idealizado, pensado e esta sendo produzido aqui por mim e pela Ester Graf. Oi Ester!! Conta pra gente um pouquinho.


Ester: é um projeto em que a gente pensou em uma forma de reunir informações sobre a historia da improvisação do vale do Itajaí. Pensamos em começar a iniciar com entrevistas, pra que a gente possa a partir delas ir para outros bancos de dados, outros materiais, outras informações a respeito. E como nós também já fomos improvisadoras na área, a gente já conhece algumas pessoas que trabalham com isso, a gente vai conversar com elas. Partindo disso a gente vai montar também um banco de dados, escrevendo as entrevistas e fazendo com que a gente possa ter material de pesquisa.


Acácia: isso mesmo, então a gente começa hoje, dia 14/02/2021 com a nossa entrevistada, que vamos anunciar e a gente segue mais os dois próximos domingos com duas outras pessoas, artistas aqui da região de Blumenau e de Gaspar e como a Ester alou, a ideia é fazer um material documental sobre esse momento histórico da impro, então a gente vai desenvolver um blog, colocar fotos e estar transcrevendo todas essas entrevistas. Aproveita e segue a gente no Instagram, vamos alimentar ele com informações desse projeto, mas o projeto pretende continuar a abranger um pouco mais que Blumenau e Gaspar. Vai acompanhando a gente e agora vamos ficar sabendo quem será a entrevistada de hoje.


Ester: Essa entrevistada a gente conhece a muito tempo, é uma pessoa que temos muito carinho, além de ser colega improvisadora é nossa amiga, foi minha primeira professora de teatro, junto com o Mape, com a Belle e estou muito feliz ter aqui hoje, Acácia também está, e é a nossa querida Natália Curioletti.


Acácia: O bloquinho da bunda no sofá está armado, preparem os seus drinks, os seus comes e bebes, porque a conversa vai ser boa hoje. Oi Nati, tudo bom?


Natália: Ta aqui o meu drink, água mineral. Oi linda maravilhosas, é uma honra inenarrável, estar aqui neste lindo carnaval, com estas belezas, maravilhosidades e tudo o mais que vos acompanha.


Acácia: Mais do que um entrevista, a gente vai fazer um bate papo, porque é isso, a gente já se conhece a muito tempo e queremos registrar esses fatos, esses acontecimentos da impro aqui no vale do Itajaí, aqui em Blumenau, especificamente falando da Nati. Mas não só de Blumenau, porque a Nati é de Ilhota, trabalha em Blumenau e muitas outras cidades do estado. Mas então podemos começar com a Nati se apresentando um poquinho pra gente. Pra quem não conhece, pra quem nunca viu, quem é Natalia?


Natália: Quem é você Natalia?! Essa é uma questão tão existencial, quem sou eu, quem é você, quem somos nós, quem queremos ser, quem tentamos ser. Eu sou amiga da Ester de da Ana Acácia, sou uma pessoa do teatro aqui de Blumenau, e trabalho com a improvisação essencialmente naquilo que eu faço, desde que comecei nesta vida louca de fazer teatro. Hoje nesse momento eu trabalho em isolamento, mas trabalho bastante com teatro para crianças, com as experiências de ensino do teatro através da improvisação, dos jogos e é isso que venho fazendo já algum tempo e é claro que fui professora da Ester.


Acácia: A Nati e modesta porque ela é atriz, improvisadora, contadora de histórias, hipnotizadora de cães, ela é versátil, ela é de um tudo na área teatral, na área cultural em nossa região. Ela é referência pra muita gente que já faz teatro a algum tempo, pra quem está começando agora, então de fato é muito legal conversar com uma amiga e uma pessoa que trabalha a tanto tempo na impro. É realmente uma referência da área na região. Então, ela é modesta, ela fala pouco dela. Ela é palhaça. Então a gente pode começar perguntando pra Nati se você lembra qual foi teu primeiro contato com a impro, assistindo, pessoalmente, na faculdade, lendo, qual oi o primeiro encontro que tivesse com a impro?


Nati: foi na faculdade, fiz a gradação na FURB, lá por 2003, e na época a professora Pita Belli, que é uma pesquisadora da área da improvisação foi nossa professora e era também professora do grupo teatral Fênix, que é um grupo de extensão, onde quando eu entrei, ela trabalhava com pesquisa em improvisação e palhaçaria. Eu já entrei direto nessa porta da improvisação. Eu era muito jovem quando entrei na graduação, saí do ensino médio sem ter feito teatro, sem ter a menor noção, uma pessoa bem desavisada. Agora em uma Graduação de teatro.. Eu achava teatro uma coisa legal, gostava de assistir, bem pessoa fora das ideias. Tinha feito alguns cursos amadores, e aí quando eu entrei na graduação, a primeira coisa que tive contato, foi com a improvisação do grupo Fênix. Então foi por essa porta que eu fui entendendo o que era o teatro, fui entendendo o que era estar em cena, o que era criar, o que era jogar, o que era ser coletivo. E fui fazendo improvisação meio que do meu jeito de entender o teatro e sigo nessa até hoje. Acho que hoje tem muitas opções, quem começa a praticar improvisação e a impro hoje, liga a internet e tem um monte de coisas legais. Na época que comecei a fazer, já tinha internet, mas não era assim como hoje. Quando tinha uma oportunidade pra aprender, a gente ´pegava e ia nela. Foi isso que aconteceu comigo, depois claro, experimentei outras linguagens, mas sempre a palhaçaria, improvisação, estudos da linguagem cômica foram as coisas que mais me atraíram e também no meu fazer como professora, como pedagoga, o teatro, é onde eu encontro o melhor resultado, o melhor engajamento, talvez porque é o que eu gosto de fazer, então é o que eu gosto de ensinar, essa técnica de improvisação e também da impro que são coisas diferentes, a impro é uma técnica específica de improvisação criada pelo Keith Johnstone, uma técnica inclusive de ensino da improvisação, mas existem outras. E aí no meu trabalho pedagógico eu usos várias coisas dessas técnicas todas. E foi desse jeito, muito pelo trabalho da Pita. A Pita foi uma das primeiras pessoas do Brasil que começou a pesquisar impro, e eu me lembro de ela falar do Keith Johnstone, ela viajar para estudar Keith Jonhstone, de ela traduzir livros dele. Então a gente teve a oportunidade e a sorte de entrar em contato, lá no começo em 2003, mais ou menos, com alguém que estava estudando essa linguagem que ainda ninguém conhecia, pelo menos não em grande escala como agora, e aí, isso foi um privilégio mesmo, ela na pesquisa dela aplicava com a gente e a gente aprendia. Foi por aí que eu comecei na improvisação e na impro. Depois que eu saí do Fênix, a gente fez um grupo de pesquisa e improvisação que se chamava Fãs de teatro e tinha um projeto com um nome super criativo que era Fãs de improviso e nesse projeto a gente fez um treinamento, uma imersão, também com o apoio da lei municipal, da Furb que cedia o espaço, onde a gente pesquisou com alguns atores que gostavam da linguagem, os jogos de improvisação e aí voltamos ao primeiro espetáculo de jogos que teve em Blumenau, era uma linguagem que as pessoas entendiam, assim, a improvisação é uma coisa que as pessoas precisam aprender pra quando a gente erra em cena, é uma coisa que o ator treina pra não errar um texto. Na época era isso o conceito que se tinha de uma forma geral da improvisação e a gente tentava pesquisar, entender ela como uma linguagem, como uma estética, uma possibilidade de sobreviver no palco produzindo uma estética própria, a partir dela como uma linguagem. E acho que foi essa a grande coisa que a gente fez naquela época, que se fazia pouco e que estava começando ainda. Falo daquela época porque o tempo passou né.


Acácia: é que parece que faz muito tempo, mas o boom da improvisação deu-se agora mesmo, nos últimos poucos anos. Então de fato, quando a Nati entrou na faculdade, não era tão comum ver nos canais abertos, na televisão, canais do Youtube, tanta gente fazendo impro, ou até aqui em SC, tanta gente fazendo impro, realmente era algo novo pra gente. Pra mim também, quando eu me deparei com a impro, realmente.


Nati: Teve um tempo, na segunda vez daquele Fãs de improviso, daí a Acácia, passou também a entrar e jogar com a gente com tanto conhecimento que ela já tinha e com uma habilidade que lhe é própria de improvisar. Naquele elenco foi quando a gente improvisava com bastante gente, eram sei lá, dez pessoas em cena, a gente fazia várias experiências, errando muito no básico, uma coisa que quem começa hoje já tem professores muito bons que não vão te deixar passar tanto tempo assim, que já tem muito mais estudo. A gente tava descobrindo com a Pita, como faria pra funcionar. E ela sempre muito compenetrada naquilo em fazer a gente acertar, muito comprometida com a linguagem, em não fazer uma linguagem que não fosse só para as pessoas rirem, de a gente passar de lugar pra crescer dentro dela. Foi uma época onde aprendi muito e pudemos assistir muitas coisas, estudar.


Ester: Tu lembra, tu disse que não tinhas, a internet era um pouco complicada naquela época, ela teve uma evolução bem grande nos últimos anos. Eu queria saber, de material que tu lembras, que tu se debruçou, alguma referência que tens daquela época de pesquisar, de dar uma olhada naquilo, desse material.


Nati: quando a gente estudava, as primeira coisas que eu via muito eram fitas VHF , que a Pita tinha, dos palhaços russos. A gente era maluco naquelas fitas. Os palhaços russos são tecnicamente muito bons.

Acácia: Mas que palhaços russos eram esses?


Nati: não sei, eram fitas VHS, não era assim pra conseguir um vídeo como hoje. Eram espetáculos eram cenas que a gente ficava vendo. Pegávamos as fitas e ficava vendo. Depois veio uma tecnologia muito revolucionária que era o DVD, aí a gente conseguiu gravações em DVD das coisa.


Acácia: A Pita é uma grande referência, que impulsionou muitos de nós na impro e especificamente na Furb, pois ela estava dando aula lá na época, mas depois a Nati, como falou, eles desenvolveram o grupo Fãs né. Meio que o trabalho da impro, que começou dentro da universidade se expandiu pra fora e um trabalho muito profissional. Ela deixou de ser só uma aula, um aprendizado e de fato você se identificou com essa linguagem, tu e os companheiros e companheiras da época e começaram a trabalhar com impro e foram um dos poucos grupos que estavam atuando profissionalmente em bares, em lugares, com a improvisação.


Nati: Quando a gente foi buscar o bar pra fazer, eles achavam que a gente iria chegar e fazer stand up, que foi uma época que estourou o stand-up. A gente tinha que explicar muito a diferença entre um e outro. A gente tava nesse lugar naquela época. Eu me lembro que a gente foi fazer um curso com o Márcio Balas, aí tinha um colombiano dando o primeiro curso dele no Brasil, a gente não entendia direito o que ele falava. Era uma época em que as coisas estavam se desenvolvendo inclusive nessas regiões, em SP, que nem aqui, que projeta mais, então a gente acabava estudando essas pessoas sem saber muito quem elas eram, a Pita dizia, vamos lá, é legal, a gente ia lá e fazia. E depois quando começamos a entender, estourou os programas na tv, na internet, principalmente com os barbichas, a gente lia bastante Rous Line, que é a referência americana mais antiga, que é a primeira, e depois de um tempo a gente começou a entender sobre os low formes, estudar sobre isso e aí, já tinha mais gente no Brasil pesquisando, em várias universidades, a dança também tinha uma coisa da improvisação, do contato do improviso, aí tem muita coisa que foi vindo. O festival universitário de teatro aqui também né, teve muitas coisas legais de improvisação, teve caleidoscópio aquela vez, a gente pode conversar com as pessoas depois, o Frank Totino veio dar aula aqui, foi um dos cursos que eu fiz, fiz um ou dois cursos com ele. Com o Kit eu não estudei, a Pita que foi viajar e estudar com ele. E quando fiz o curso com o Frank, foi muito legal chegar no curso e ver que eram as mesmas coisas que fazíamos no nosso universo Blumenau, porque as vezes a gente imagina que eles estão lá longe, que eles são muito feras, e eram os mesmos exercícios. Era a mesma coisa. E ele ensinava do jeito dele, com uma tradutora, mas era essencialmente o que a gente fazia na sala de ensaio. E aí via que a gente tinha caminhada e conseguia fazer muitas coisas, quando eram turmas onde as pessoas não entendiam muito a linguagem. Então eu vivi esse tempo, que oi muito marcante pra mim como artista e como pessoa.


Acácia: a gente tava calculando antes, que foi em 2005, 2006, 2007, que foi por ali o começo né, que saiu da faculdade, foram os primeiros espetáculos, jogos, essa saída da universidade para esse trabalho profissional. Uma coisa muito legal de falar, na época eu assistia, não estava ainda, mas é que o Fãs, ele tinha os jogos de improviso nos bares, e era muita gente jogando. Eu me lembro que tinha oito, nove pessoas jogando em cima de palco muito pequeno em bares aqui da cidade, e hoje em dia agente já não vê mais tanto, e claro não tem cache que pague, não é muito viável. Mas eu queria saber duas coisas, como era jogar com tanta gente, vocês que estavam no começo dessa pesquisa, mas que já tinham essa caminhada, sabiam que estavam fazendo, e como era a reação do público e dos bares. Era fácil entrar num bar pra jogar, tinham opções em Blumenau, ou fora, nas cidades próximas? Como era essa receptividade dos donos dos bares e do público?


Nati: então, eu acho que o projeto acabou tendo menos tamanho do que deveria por conta da dificuldade de produção. Não era fácil de apresentar no bar, o elenco era grande, tinha que ter um palco um pouco maior, não tinha cache, então a gente ia muito pela experiência, o bar é difícil porque você ta competindo com a comida, e competir com a comida não é coisa fácil. Mas era uma grande escola. A gente jogou em dois ou três bares na época tinha o Bareco e eles faziam muita apresentação de stand-up, então ali era onde eles abriram espaço e fizemos uma temporada grande que eu me lembro.


Acácia: E lotava né.


Ester: só pra contextualizar, o Bareco era tipo um galpão, que tinha umas garagens tipo de caminhão e eles transformaram no bar. Então tinha muita mesa, era muita gente e ele tinham um mascote que dançava e fazia coreografia.


Nati: Foi um movimento que surgiu de a gente fazer esse teatro que era mais popular, mais divertido. Eu acho que é isso que foi muito legal. Depois a gente fez um temporada na Fundação cultural de Blumenau, uns dois anos. Todo domingo tinha improvisação.


Ester: Foi em 2009 que surgiu a primeira filipeta com o nome de vocês oficialmente lá, como parte da programação. A gente ta pesquisando sobre a historia da temporada blumenauense de teatro e viu o nome de vocês lá em 2009.


Nati: a gente fez muito temporada blumenauense de teatro, porque o espetáculo era sempre diferente. A temporada a gente fazia, não me lembro agora, se era todo domingo ou a cada 15 dias, mas a gente fazia uma temporada só nossa lá. E a gente tinha um público que ia pra assistir improvisação.


Acácia: já era cativo né?


Nati: sim, era cativo e foi ralado pra conseguir e era muito legal esse momento da impro. Na época jogava eu, Aline Appi, que desde o começo trabalhou nessa e é professora de teatro, o Alan, que veio, que ta aí no remanescentes e o Ramon, que era um músico improvisador que treinou desde o começo com a gente, que jogava no teclado. Antes disso, teve um elenco bem grande, na época do Bareco, teve a Lisiana que é professora em Indaial, jogava a Tarita que é bailarina, professora de dança. Era ótimo porque a Talita tinha as coisas da dança, a gente se divertia muito jogando com ela, que era um conhecimento dela. O Diego. Tinha muita gente, vou me esquecer de algumas, pois no projeto muita gente treinou, não me lembro direito quem ia pro bar. Que as vezes a pessoa começava a treinar mas ela não queria ir jogar. Sempre era muito nervoso antes de chegar na frente da plateia. Hoje, se não for pra fazer um espetáculo de jogos, eu já entro e jogo, porque eu sei que vou conseguir jogar, mas na época a gente não tinha essa segurança, porque tava começando, então era um apavoro de saber e imaginar o que ia fazer em cima do palco, a gente ficava muito nervosos. Eu me lembro desse nervoso de, o que eu to fazendo aqui, isso não vai dar certo hoje, meu deus que desespero. E também foi um processo como improvisadora, não sei se todos passam por isso, mas o processo de perder esse medo de entrar em cena sem ter nada combinado. Perder esse medo de entrar, a gente está junto, a gente vai conseguir. Acho que pra mim isso é muito fazer teatro. A improvisação pra mim tem esse lugar assim, a impro tem esse lugar do coletivo, porque não tem outro jeito de ela ser. Isso pra mim é muito sobre o que é o teatro. E tem muitas outras que com o decorrer da impro eu vou entendendo o quanto ela me transforma como ser humano. Não é uma competição, não pode ser uma competição, parece que é, mas é outro tipo de jogo, que é a imprro boa. A gente não ta competindo com o outro, a gente ta vencendo juntos a história, em prol do público, é pro público que a gente faz, é entender que o público é o terceiro jogador, sou eu meus colegas e é o público que joga comigo, é mutuo pra mim, outra metáfora do teatro. Que teatro que a gente faz e pra quem que a gente trabalha. A Pita sempre nos ensinava que o mais importante era o respeitável público e que eles saíam de casa para nos assistir e que nós deveríamos dar para eles um espetáculo, esse era o nosso trabalho.


Acácia: Eu acho que você fala que no começo a gente tinha muito essa preocupação de eu não posso errar, eu tenho que ser engraçada, eu acho que a impro traz um pouco dessa mística de que tem que ser engraçada o tempo todo e quando a gente vai amadurecendo e entendendo isso que a Nati fala, o que é a impro de fato, quando a gente entende realmente o público está jogando com a gente, que o público ta aí pra jogar com a gente, a gente percebe que a história é coletiva e a gente percebe que a impro não é só comédia, que não é só risos, a impro de fato é a construção de um momento, de uma história, de um segundo, de um fragmento, juntos. Então eu acho que de fato isso surge, eu não digo com o tempo, é como a Nati falou, hoje em dia os métodos, os meios, são muito mais rápidos, mas surge de acordo com o que a gente vai entendendo o que é jogar a impro, então isso é muito legal de a gente falar e de a gente lembrar né, isso vem junto com a nossa memória, nosso crescimento, com nosso aprendizado e faz parte também, eu percebo que faz parte da impro aqui de Blumenau, que a gente teve essa impro, essa impro um pouco mais afobada, mais cômica, mais nervosa e hoje em dia nossa impro já vem com outra característica outro tempo. Isso também faz parte da história da impro, não só da gente como artista né, isso é bem legal de lembrar.


Nati: tem uma coisa da presença né, hoje quando a gente vai ler as coisas do teatro, da pesquisa presença. A impro é a essência dessa presença, de entender que agente ta ali, que agora expressando esteticamente diante de um público que constrói com você. É estar ali. E se você não estiver ali, não vai dar certo. E o público sabe, ele vai pra ver a gente jogar, pra ver a gente brincar na hora. A grande competição é essa, será que eles vão conseguir. E isso que é o legal de brincar de qualquer brincadeira, será que a gente vai conseguir, será que a gente vai superar, será que essa palavra vai rolar. Eu gosto muito quando a gente consegue jogar bem com uma ideia do público e ele se sente contemplado porque a ideia dele é boa. E você não subestima sua plateia, porque ela joga com você. Porque a ideia dela é boa, tão boa quanto a sua. Eu gosto dessa relação que coloca o ator como alguém que esta a serviço. Acho que o artista é muito estar a serviço e que as vezes nos nossos processo da vida agente se perde um pouco nisso e aí acaba sofrendo muito, que daí vira o lugar do nosso ego, não no mau sentido, mas o lugar do que eu estou fazendo pra mim, claro que é muito bom, a gente aprende e cresce muito. Mas a dimensão de que a gente como artista tem essa função social de estar a serviço pra construção estética, emocional, ética, tudo isso que a arte oferece, a impro te coloca direitinho nesse lugar, porque senão ela não funciona.


Acácia: pessoal que ta assistindo a gente, pra Nati, principalmente, quiser fazer alguma pergunta sobre a impro ou alguma outra questão, passa ali e eu quero perguntar outra coisa pra Nati seguindo nessa questão da improvisação dos jogos da impro.


Ester: tem um apergunta o Artur: Tem outra cidade Catarinense que também se produz bastante a improvisação?


Acácia: Sim. SC num geral tá sendo um polo bem grande de improvisação. A gente tem muitas cidades muitos movimentos, agora recentemente em Itajaí, com o grupo mequetrefe, está fazendo o primeiro encontro de humor, que é um grupo que difunde bastante a improvisação. Criciúma, Joinvile.


Nati: vocês mesmas jogaram ontem a noite, não jogaram?


Acácia: a gente jogou ontem a noite com o grupo de Gaspar. Florianópolis tem improvisação, eu vou esquecer porque eu não conheço todos. A gente tem um grupo no whats app que tem muita gente, não só de SC, mas que ta fazendo impro, que tá estudando a impro, que ta difundindo a impro. Tem muita gente jogando e estudando essa arte.


Nati: em muitos formatos, muitas pesquisas diferentes, muitos métodos diferentes, não só da impro.


Ester: tem muita gente com muita coisa nova agora, durante a pandemia esse processo de estamos agora aqui, agente também, tem a possibilidade de se comunicar com muito mais pessoas. Tem vantagens e desvantagens. Mas uma das vantagens que eu enumero é essa de poder se comunicar com pessoas que não estão no mesmo espaço físico que você e as vezes estão muito longe e aí muitas coisas surgiram de interessantes de linguagens próprias para internet de improvisação que é voltada pra esse meio. E aí tem muita gente fazendo. Tem espetáculos de varias cidades que são voltados para internet. Nós continuamos no presencial com os remanescentes que é bem interessante.


Acácia: parou, mas agora já voltamos devagarzinho, a gente fala aqui de Blumenau bastante , claro, pois somos daqui. Mas de fato a Pita é uma referência muito importante da improvisação porque ela é uma pesquisadora e uma diretora e professora que trouxe essa técnica de um mestre muito grande, então de fato Blumenau é um polo muito grande e aqui formigou e difundiu muito por conta da figura da Pita e desse germem que ela foi colocando e fomos improvisando mas tem muitas cidades. Tem mais perguntas ali, daí fazemos um bloquinho de perguntas e depois continua com aNati.


Angie Rodrigues: conta pra gente um dos momentos em que você esteve em cena improvisando que mais ficou na memória.


Nati: Que difícil. Foi a primeira vez. Teve uma vez que a gente trouxe o Gustavo pra dar um curso, que ele jogou com a gente. Foi um grande momento pra nós. Era muito difícil produzir e trazer um mestre como ele, enfim. Gustavo é uma grande referência pra mim. E aí a primeira vez que a gente entrou em cena pra jogar com ele, eu estava apavorada e foi tão legal, porque ele é muito grande e generoso, eu me lembro de ele conduzir aquilo com muita generosidade e carinho, por fazer aquilo era uma cena simples, qualquer. E eu me lembro que ele não esquecia nem um detalhe ele me ajudava a não esquecer. Ele estava me ajuando em cena. E aquilo foi tão bonito pra mim e ficou tão marcante. Foi um cena que me marcou muito, de entender que aquele lugar da cena era o lugar de a gente se ajudar e como ele fazia aquilo muito melhor que a gente, em nenhum momento ele os deixava pra tras. Ele nos levava junto, pra mim foi muito simbólico e também momentos com meus amigos, com a Aline, de a gente inventar personagens que o público não aguentava mais, duas velhas, elas tinham nomes, jogavam com elas, momentos de brincar com o Alan, que é um grande improvisador e a gente tem muitas histórias de cenas. Tem cenas hilárias que a ente repetia de tão engraçadas. Faz muito tempo que eu não trabalho em grupos de improvisação. E eu me lembro que quando a gente tava jogando a um tempão junto com o Fãs a gente criava um repertório de situações de personagens que iam e vinham dentro das improvisações e isso era muito gostoso de lembrar. Quando alguém lembrava em cena e fazia um corpo, já sabia o personagem que ia aparecer, por exemplo. Tinha um balcão e eles riam. Sempre que eu ia ser a vendedora eu fazia o balcão do mesmo jeito.


Ester: eu lembro uma coisa, que quando a ente começou a jogar com a Pita, ela tinha um jogo que era do oráculo. É um que já existia, como que era?


Nati: Meu deus o oráculo. O Oráculo era um jogo que era difícil pra gente na época, até que dominamos ele. Tem que ter muita mente de grupo. Lá naquele livro La verdade em la Comedia eles ensinam bastante sobre mente de grupo. O Oráculo, a Pita trouxe de algum dos estudos dela. Eu acho que só ela pra dizer da onde. Eu lembro que ela trouxe para um ensaio, porque era uma referência de um jogo que ela pesquisou, agora da onde eu não sei. Que eu lembro que a gente lia muito o impro do que Jonhson, eu lembro quando ele surgiu na biblioteca da Furb, aquele livro, eu levei para minha casa, xeroquei ele todo, e quando eu fui fazer a monografia na pós, que se chamava a improvisação no ator comediante, aí a Pita me trouxe muitas referencias de livros que não eram fáceis de achar. A maioria eram em inglês e eu lia pouca coisa em inglês, e tinha pouca coisa traduzida, pouca coisa em espanhol. E ir atrás dos livros que as pessoas tinham e a gente xerocava as partes que agente via, lia. Hoje tem bem mais referencias boas.


Acácia: mais traduzidas também né


Nati: A palhaçaria também ta com mais referências sim. Eu não consigo muito separar a palhaçaria da improvisação do meu trabalho. Eu sempre vou usando as coisas de uma na outra. E as vezes me atrapalha. Uma vez fiz um curso com o Gustavo, que dizia” tira o palhaço daí, para de triangular. Joga pra dentro da dramaturgia”, que daí era difícil e ainda é de não triangular, de não pegar uma coisa e dizer uma bobagem. É irresistível quando a cena ta indo pra um lugar mais dramático que eu não acabe com ela porque eu quero fazer o que a minha primeira ligação é uma bobagem, entende o que eu to falando né Ana Acácia?


Acácia: Entendo!! O Ester, eu vi que tinha uma pergunta do Allan que já ia engatar o que eu queria perguntar para Nati também.


Ester: eu também ia fazer um gancho dessa pergunta e talvez a Nati possa fazer um poutporri, essa coisa.


Nati: Ai, poutpourri é bem coisa de carnaval né.


Ester: Sobre a pergunta dele é sobre o espetáculo de vocês e eu queria já entender também de que forma que passou pra tanta gente no placo com você e a Aline naquele momento, como que foi?


Acácia: já queria enganchar, já responde tudo, porque a Nati é boa de falar, que o Rouxinol Imperador, a Nati vai falar melhor dele, ele era um espetáculo, como uma plataforma mas que ele abria pro visto das crianças. Como é que foi isso, além de sair do grupo e ir pra uma dupla, que vocês começaram a trabalhar mais juntas e sair do jogo para um espetáculo. Que é outra técnica, como é que foi esse salto?


Nati: então, a gente nem conhecia a palvra plataforma ainda. A gente veio a conhecer depois. Nesse momento, novamente devido ao fundo municipal de incentivo a cultura, gente os mecanismos de cultura públicos, são importantes, porque a gente pode pesquisar. Então a gente quis trabalhar impro e o grupo faz queria montar um espetáculo pra gente trabalhar com as crianças, porque tanto eu com a Aline, sempre fomo professoras de criança e a gente queria se comunicar em cena com as crianças. A gente já jogava nas escolas com os Fãs de improviso. Porque a gente jogava os jogos com as crianças, coisas que você pode jogar com elas. Mas a gente queria fazer um espetáculo e colocamos esse projeto no fundo municipal e pesquisamos um conto tradicional que é O rouxinol e o imperador. Eu sempre gostei muito dentro da impro de estudar as habilidades narrativas, isso que a Acácia falou, em cena eu também falo muito, e eu gosto disso de narrar, de contar, do poder da palavra, da palavra que vira imagem, da palavra que tem sabor, eu gosto de treinar isso. E aí a gente queria fazer um espetáculo com isso para as crianças e pegamos o rouxinol e o imperador que é um conto universal e criou um roteiro de cena onde a gente tinha dois personagens que era a Lili Ling, que era eu e a Imperatriz, que era a Aline. E aí ela ia desenvolvendo essa, a gente contava o roteiro da historia e antes de começar o espetáculo a gente pegava com as crianças, por exemplo, a comida favorita delas e isso era um papelzinho que ficava na mala. O espetáculo era eu a Aline e uma mala, porque ninguém tinha carro na época, tinha que ir de ônibus para os lugares, essa era uma realidade física que a gente tinha. A Deda que fez os adereços na época, com um valo irrisório, porque a gente não tinha dinheiro pra nada. O fundo sempre foi um fundo que não proporciona uma montagem de espetáculo grande. E agente tinha essa necessidade que fosse pequeno, então tudo nele era focado no jogo. O cenário era eu a Aline e a mala e fazíamos em qualquer lugar. A gente pegava as palavras com as crianças, que eram as comidas favoritas, e então quando o rouxinol ficava triste na gaiola, a gente dizia: ele deve ta com fome, vamos preparar um prato, e a gente, vamos fazer tal coisa, não isso não, e a criança se sentido muito contemplada, porque a gente ia abrindo os papeis com os pratos favoritos delas. E aí era o que a gente servia pra ele, então ali a gente desenvolvia a cena de preparar essa comida, o nome do rouxinol sempre era o nome de uma criança que a gente pegava, e a gente ria muito, porque a Aline tinha que decorar e as vezes era uns nomes difíceis, tipo Cleidenison ou Murieltom, e era uns nomes eu ela tinha que decorar pra repetir varias vezes o mesmo nome, que passava na historia a ser o nome do passarinho, que era o nome mais lindo do mundo e ela ia improvisando a partir do nome da criança. A proposta era valorizar o que a criança fazia, pensava, produzia. E as crianças viravam as flores do jardim, não me lembro direito. Ele ficou 6 anos em cartaz. Lembro que uma vez fizemos em Eliopolis, e foi um experiência muito bonita fazer la, e elas davam aula pras crianças e a gente foi pra fazer um curso do Frank e aproveitou pra apresentar pros alunos delas. Essas trocas que a gente fazia, que o Rouxinol era muito massa, porque a gente podia apresentar em qualquer lugar. Aqui na região a gente fez muito e depois a gente ganhou outro fundo só pra circular ele. A gente fez nos CRAS, o Rouxinol, então além do que a gente fez em uns 5 ou 6 CRAS, pras pessoas que eram atendidas lá. Tinha CRAS que não atendiam crianças, então a gente apresentou pros idosos e foi muito legal apresentar pros grupos de idosos, principalmente, por exemplo, na época eles não sabiam escrever a comida favorita, as crianças que não sabiam, as professoras ajudavam, mas aí a gente entrou na realidade do adulto que não sabe escrever mas quer ter sua ideia contemplada. Então pra gente o Rouxinol trouxe muita estrada de fazer teatro em qualquer lugar que tivesse dois metros de largura. A gente colocava aquela mala e fazia. Transformava no palácio, a gente brincava com sonorizar as coisas, na mala tinha muito instrumento, e aí a gente ia trazendo esse rouxinol que nunca existiu, a gaiola que sempre era vazia, eu tenho até hoje a gaiola dele. As crianças vinham depois e nos contavam como ele era, mas ele era da imaginação. Então daí tinha a plataforma e a gente ia inserindo esse momentos poéticos para as crianças, numa forma bem lugarzinhos que abriam, então era como se fosse um espetáculo que tinha um janela pra gente jogar com as crianças. Hoje chama plataforma né.


Acácia: teve o Arlequim também né, que era outro espetáculo infantil que o Fãs desenvolveu, também com a linguagem da improvisação, tinha uma plataforma mas que também abria, mas acho que era pras crianças menores né. O arlequim que era todo de papel.


Nati: meu deus foi tu que trabalhou naquele cenário. Uma historia de arlequim, foi o ultimo espetáculo do grupo. A acácia fazia uma ilha linda, ela levantava e aparecia a ilha. Também era uma historia de carnaval, que elas iam no baile de mascaras e o arlequim não tinha roupas, tinha bonecos, a Acacia fazia os bonecos atrás. Foi legal.


Acácia: foi legal, muita coisa né. Vai falando vai lembrando amarrando uma coisa na outra


Nati: essa relação com a comédia delarte era bonita também. Porque não era o arlequim de comedia delarte, mas trazia. Era o arlequim e o Escaramute, eles eram amiguinhos.


Ester: queria perguntar, quando que o grupo Fãs, ele que foi esse inicio de muita gente e depois, mas você e a Aline, quando foi que ele encerrou? Ou se ainda ta, em suspensão..


Nati: o ultimo espetáculo foi uma historia de arlequim, e encerrou muito por falta de a gente ter verba. É isso, chega um momento que os projetos precisam de um financiamento pra você continuar sua pesquisa. E a gente tinha que viver, trabalhar a Pita sempre com muitas horas aula na universidade, então a gente não tinha braço mesmo e nem verba pra manter, porque trabalhar por cache, por mais que a gente fizesse muita escola, não nos sustentava. Então a gente acabou que teve que fazer essa escolha pra sobreviver mesmo. E aí chega um momento que se sua pesquisa não tem um financiamento, um edital, ela vai empobrecendo. Porque você vai fazer aquilo no empo que te sobre, quando está cansado, aí você começa em ficar muito mais preocupado em como vai conseguir recursos, efetivamente na sua função como artista. Então eu acho que a gente que produz em centros menores, que produz com essa dificuldade financeira, tende a ter os nossos projetos, esse grande entrave. Assim foi com o grupo de teatro da Acácia, que também era um grupo que veio desse alunos que o Alan participava a Ca, que também são improvisadores, a gente ali trabalhava muito a coisa da improvisação, estudou muito comedia dlarte. E também chegou um momento que a gente não tinha mais como produzir a s coisas do ponto de vista financeiro. Se não tem um edital que te financia, as pessoas precisam viver. Essa é a triste realidade, infelizmente


Ester: de la pra cá desde o fim do Fãs e passando por algumas questões de improvisação na tua vida, como desenvolveu esse trabalho até hoje. Tens conseguido lidar com isso e tudo o mais. Essa vontade de aprender improvisação, de se aperfeiçoar, continuar a pesquisa. Como foi depois que não tinha mais aquele treinamento constante, semanal. Imagino que vocês também faziam treinos semanais, quando era com a Pita, com o grupo, ensaio treinos, tudo o mais, como que foi essa pesquisa depois, foi boa ou ruim?


Nati: então, aí depois desse momento eu tive que ocupar muito lugar da direção do grupo. Tanto uma direção artística quanto uma direção daquela empresa, vamos dizer assim, até as coisas se ajeitarem e também estudei muita direção teatral. A improvisação pra mim sempre caminhou como uma coisa muito eficiente pra levantar material pra daí esse material virar algo para compor um espetáculo ensaiado, fechado e que vai ser um espetáculo tradicional, digamos assim, mas a base de todo o meu trabalho de direção sempre foi a improvisação e como que eu coloco esse jogo numa cena e trago esse jogo pra ele ser fresco toda vez. Só que vai ser a mesma cena, mas vai ser repetir, onde ta o jogo naquela cena sempre que a gente faz. Isso é uma coisa que me move muito e era possível de saber. Então meu trabalho com a improvisação foi em como é que eu encaixava isso que eu sabia naquele lugar onde era possível trabalhar. Hoje eu leio dessa forma. E daí também sempre como professora né. Sempre com as crianças, com os adolescentes. A improvisação é por onde eu ensino o teatro e é muito bonito quando eles aprendem, quando eles entendem que o jogador da plateia é tão importante quanto o jogador do palco. Quando eles pedem pra ser plateia, pra ser palco, quando aplaudem os amigos que tão no exercício. Quando entendem que ninguém ganha, que a gente ganha quando a cena é boa. E ver eles entendendo isso com 8 ou 9 aninhos, é muito bonito pra mim. Ver eles entendendo que construir junto é mais poderoso que fazer sozinho. Que tudo aquilo que eu sei, serve. Que eu sou bom o suficiente. Acho que na sociedade de hoje, onde as pessoas estão tão depressivas e competitivas, eu tenho a oportunidade de trabalhar com as crianças pra dizer pra elas que o contrario é muito mais divertido, é um privilegio também. Então acho que tudo o que aprendo da impro eu vou levando onde eu posso, onde abre a porta, quando eu viro como convidada, ou quando eu posso fazer os cursos. Sempre que posso fazer cursos de improvisação eu faço. Agora que o fundo ta trazendo muito curso, pra mim é muito legal. Se eu não puder estudar online, como que a gente usa isso das plataformas online. Não sei se eu respondi ou me enrolei.

Acácia: ta bom, ta bom. Foi respondendo, falando. A gente tem uma provocação que foi colocada aqui, por uma tal empresa que ta aqui assistindo. Mas eu queria dizer que é muito legal de acompanhar o trabalho da Nati como amiga e companheira de profissão. Porque ela ainda é muito jovem, a gente fala aquela época, mas somos artistas jovens que temos muito que caminhar, aprender e difundir o teatro aqui na cidade e região é o que a gente quer, e é muito legal de acompanhar o trajeto da Nati. De ver que ela saiu da universidade e desenvolveu um grupo, encabeça um grupo e depois encabeça uma direção de grupo de adolescentes numa cidade aqui perto e depois é professora, palhaça, difunde o teatro e ainda assim tão bonitamente, não sei se essa palavra existe, mas tão lindamente, fluidamente e vem a tantos anos desenvolvendo o trabalho da impro, modificando de acordo com a necessidade, de acordo com as pesquisas dela, mas ela nunca parou de improvisar e não vai parar de improvisar, porque o Mauricio jogou uma provocação pra gente:


Old Friend Tatoo: E depois que a situação pandêmica estiver resolvida, não seria legal um projeto de jogos de impro em Blumenau?


Acácia: eu acho que sim, olha


Ester: olha as coisas aparecendo


Acácia: a gente tem os remanescentes ali em Gaspar, aqui em Blumenau, e a gente tem muitos artistas soltos da improvisação, que olha...


Nati: com certeza estaremos jogando sempre que tiver jogo, a gente joga né

Acácia: a Nati ainda joga. Com o remanescentes. A gente tem um espetáculo mensal aqui na cidade e quando sempre que surge uma oportunidade a gente convida ela, e ela vem, joga e enriquece muito nosso espetáculo, e vamos faze, eu acho que temos tudo pra fazer. Vamos abrir edital...


Nati: vamos abrir edital, seleção, treinamento


Ester: pois é Nati, e daqui pra frente, como vai ficar? Como esta de planos?


Acácia: eu já sei, ela vai abrir uma escola de improvisação canina.


Nati: vou. A verdade é que isso de arte, livre pra todos é um sonho mesmo que carrego. Se alguém quiser me financiar.. eu acho que todas as pessoas devem ter oportunidade de experimentar a arte, independente de elas poderem pagar por isso ou não. Mas isso é aquele nosso sonho lindo que se sonha junto. Mas eu não tenho mais, por exemplo, essa força de puxar pra frente, encabeçar, de juntar a turma. Eu sempre fui muito essa pessoa que junta todo mundo pra fazer. Depois de um tempo eu senti que isso foi mudando dentro da minha forma de existir. Eu gosto muito mais de contribuir nos projetos, por exemplo, a ultima vez que a Divalhaças me falou: escreve um texto. Pra mim era, caraca um texto, vou assinar um texto. Mas sim, quando você faz impro, você aprende dramaturgia, você precisa saber fazer um texto. E aí eu acho que agora o que me move muito mais é o projeto das pessoas e como é que eu contribuo nesse projeto, fazer arte. Ou quando alguém me chama para dirigir um espetáculo, que é o que a pessoa quer fazer, eu me sinto mais no lugar de servir ao outro e não tenho o desejo profundo de eu quero fazer isso. Como é que eu sirvo, o que eu fiz na vida serve pra você agora, pro seu coletivo agora. Essa força de formar um coletivo, ela precisa acontecer sozinha, as pessoas precisam ter esse encontro. Eu aqui que em alguns momentos que agente viveu a historia do teatro aqui de Blumenau, precisou-se puxar pra frente a construção de grupos. Agora eu acho que isso ta virando uma coisa orgânica das pessoas que se encontram. E eu fico muito feliz quando eu me encontro em projetos com pessoas, e naquele momento aquele grupo existe. Claro que isso é um tipo de trabalho, que não compete com o fato de você ter um grupo permanente de pesquisa, que é um troço impressionante, rico e profundo. Mas que não aconteceu comigo. Que várias tentativas, eu participei de 3 grupos que tinham, tanto no fênix, o fênix chegou a ter um segundo elenco que só pesquisava, como no grupo de teatro da Acacia, foram 3 experiências muito incríveis de grupos permanentes. Mas que depois não aconteceu mais ,e aí eu fui entendendo tantas possibilidades que tem quando você serve a um grupo de pessoas, no desejo de produzir uma obra de arte. E acho que é esse lugar que eu vivo agora. Mas a vida é sempre cheia de encontros, mas eu sou sempre aberta, vamos la, vamos fazer. É difícil alguém me convidar pra fazer alguma coisa e eu não ir. Só se eu não puder mesmo.


Acácia: é verdade, a Nati vai, ela pipoca a nossa panela. Você quer fazer mais alguma pergunta Ester?


Ester: acho que tem muita coisa, que a gente pode partir pra perguntas de novo. Quando a gente puder escrever o texto, vai ter muita coisa que vai surgir ainda. Esse momento foi muito rico, foi de muita troca e as perguntas, elas não param, que a gente tem curiosidade de compreender, de buscar mais, mas nesse momento acho que é importante a gente recolher com essas informações e refletir. E a gente não pode esquecer também que a vida das pessoas que estão envolvidas. É a tua vida, a vida da Acácia, que estão nesses lugares que vivenciaram coisas juntas, que todas essas memorias que estão tão presentes nesse momento, tanto como vocês. Cada um conta sua história, do seu ponto de vista, do seu lugar de fala. Isso que torna tudo muito rico. Nós também, apartir disso aqui, vamos colocar as coisas a partir do nosso ver, da nossa visão e organizar tudo, que é bem rico.


Nati: eu queria agradecer muito por essa oportunidade de que a gente se encontrou pra bater um papo na internet, sobre coisas que a gente se encontra nos bastidores do teatro, que se encontrava quando podia sair na rua, que falava e acho que quando a Ester se encanta pela improvisação e ver a trajetória dela também nessa busca que ela tem e é muito bonita e nesse trabalho como improvisadora e como pesquisadora, acho que a Ester tem esse projeto é muito importante, porque a partir do momento em que a gente olha pra nossa historia e valoriza ela, a gente tem de que há um lugar sim, pora o que a gente quer fazer, possibilidade de criar estruturas e ter isso registrado, ter isso escrito, gravado, é uma memória que permanece viva. Eu quero te parabenizar muito, a Ester e a Ana Acácia, eu acho que de vocês se proporem para ouvir a historia das pessoas que também é a historia de vocês, e olhar pra isso, quando a gente olha pra nossa historia, registra ela, acho que abrem tantas possibilidades como artista, como pessoa. É muito bonito esse projeto, fico muito feliz que ele exista e que esteja nesse universo da internet. Vocês são lshow.


Acácia: junta o que, amigas de improvisação, 5 anos de pandeia e cancelamento no carnaval, da o que? nostalgia


Nati: gente é verdade, aquele vídeo da trupe, 11 anos de pandemia, to quase assim já.

Acácia: mas a gente quer muito, muito, muito agradecer mesmo. Esse projeto que veio a partir do grupo Pinoia, que é idealizado pela Ester. Muita sempre atenção porque ele é de fato um projeto pra gente cartografar um pouco dessa memoria, desse movimento histórico da impro. Pra daqui a uns anos a gente ter registrado isso, o que acontecia, o que aconteceu, a partir disso a gente também quer desmembrar e ramificar essas conversas, esse assuntos. Agredecer demais esse projeto de novo. Que foi viabilizado a partir da lei emergencial Aldir Blanc, nesse caso o município de Blumenau, agradecer todas as pessoas envolvidas. A Juliana Gatto que fez o nosso designer, que sempre é nossa parceira. Obrigada Ju. Muito obrigada ao Pinoia, esse grupo que é jovem, mas que tem muito pra propor, muita ideia muito gás, muita coisa ta por vir do grupo pinoia, muita coisa já ta aprovada em projeto. Agradecer muito, muito a Nati, que é nossa amiga pessoal mas que é nossa companheira de trabalho, que vem fazendo e percorrendo esse caminhos e abrindo muitos caminhos pra impro aqui em Blumenau e região. Muito obrigado a todas as pessoas que assistiram e acompanharam, a gente sabe que essas coisas online já estãos um pouco saturada, mas muito obrigada se você assistiu, esta assistindo ou assistiu depois. Essa coisas parecem bobas de compartilhar e comentar. Mas pra gente nesse momento virtual é muito importante mesmo. Eu aprendi isso esse ano e de fato é muito importante o engajamento, então compartilha, curte, comenta, porque pra gente, eu gosto de dizer que o bichinho da internet vai modificando essas informações e é legal pros grupos.


Ester: só queria dizer também que nesse momento que a gente ta, tem muito esse boom de coisas novas, surgindo na internet, vindo. Nesse momento também de pandemia em que a gente fica tão alienado por vezes da nossa própria realidade do que acontece, do tempo quando ele passa, o que ele passa o que deixa de passar, um ano novo veio, foi embora, parece que nem aconteceu, não ficou marcado isso pra muita gente que eu converso, com quem troco essa ideia, de a gente ter um projeto, que para um pouco e consegue olhar pra trás e resgatar a própria historia e ter a firmeza daquilo que a gente e naquele momento e de tudo que a gente passou pra estar aqui. E que a gente possa não se perder no meio desse turbilhão de tempo, se a gente não sabe se passa, se está vindo, se está nesse momento e pra gente se constar no aqui e no a gora, e tornar isso aprazível, bom.


Acácia: Gente, muito obrigado pela noite, pela conversa, pelo bate papo, a gente se encontra online ou presencialmente, daqui a pouco jacarés que somos, jacaroas, cucas que somos. Que todos fiquem bem, muita saúde, se cuidem, porque Blumenau entrou ontem no gravíssimo de novo. Fica em casa, com a bunda, segura, muito obrigada, Boa noite e vamos festejar esse carnaval que saiu do calendário mas que ta na gente. Muita festa, muita agua e muita improvisação, porque a vida é isso, a gente ta improvisando todo ldia, porque a pandemia ta aí.


Entrevista realizada no dia 14/02/2021 no canal Pinoia - Operárias da Impro do Youtube.

Link: https://www.youtube.com/watch?v=1rQRzAKl2iQ Projeto viabilizado por meio da Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc (Lei nº14.017/2020) no município de Blumenau.


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