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Pinoia Entrevista Allan Antonio

  • Foto do escritor: Pinoia
    Pinoia
  • 22 de mar. de 2021
  • 28 min de leitura

Atualizado: 22 de mai. de 2022


Ester: boa noite! Sejam bem vindos. Essa noite nós temos um convidado bem especial. Q gente nem conhece ele, a gente nunca viu ele na vida


Acácia: a gente termina essa rodada de entrevista e estamos bem contentes de estar terminando essa etapa do projeto, pra gente continuar ele daqui a pouco, as próximas partes. Esse aqui é o projeto Pinóia entrevista. Nosso intuito, meu e da Ester é através do grupo Pinóia, que é um grupo idealizado e produzido pela Ester, a gente fazer um material memorial de como anda, como está, como foi a impro aqui na região do Vale do Itajaí, nesses últimos anos. A gente vem entrevistando algumas pessoas de Blumenau e hoje a gente vai entrevistar um ator, improvisador, maravilhoso de Gaspar. Esse projeto foi viabilizado pela lei emergencial Almir Blanc, aqui de Blumenau. A gente agradece muito.


Ester: é uma pessoa misteriosa, só sucesso, gosta muito de improvisar e é um artista fantástico aqui da região. Quem não conhece vale a pena dar um oizinho quando vir na rua e é o Alan.


Acácia: Alan maravilhoso


Allan: boa noite Pinóia operários da impro, boa noite a todos que estão aqui com a gente. obrigado pela honra de ocupar essa cadeira que já foi ocupada por Natália e por Sid. Olha a pressão


Acácia: amigo, obrigada por aceitar o convite desse domingo, por estar aqui com a gente nessa noite ficamos muito feliz de te entrevistar, de te convidar pra esse projeto. Não poderia ter esse projeto sem tu aqui. Tu és uma pessoa muito conhecida, que mais representa a impro aqui , em Gaspar, na região. Então com certeza a gente não poderia finalizar sem a tua presença. Vamos começar então, pra quem não leu a tua matéria no jornal, diz um pouquinho quem tu é, o que tu faz.


Allan: eu sou Alan Antônio, improvisador da cidade de Gaspar, ator, também produtor. Tenho um canal no YouTube que se chama Recomendo. Sou um dos fundadores do grupo de improvisação que é o Remanescentes, aqui de Gaspar. Tenho 13, 14 anos de carreira na improvisação, no teatro que tem essa base, essa linguagem. Fiz algumas coisas que são do teatro tradicional mas tudo permeado pela improvisação.


Acácia: Alan, fala pra gente agora, qual foi o teu primeiro contato com a improvisação, com a técnica da impro em si, mas antes de fazer ela. Se foi em vídeo ou ao vivo e, ah isso é a improvisação. Porque as vezes a gente assiste, vê mas não sabe o que é. quando foi que tu se deu conta que isso aqui é impro, improvisação, s tu lembra.


Alan: sim, eu lembro. Mesmo como tu falou, antes quando eu assistia, não tinha muita concepção daquilo. Então foi na verdade, eu fazia teatro aqui em Gaspar, comecei a fazer teatro em 2007. Tinha uma casa com várias oficinas aqui, uma casa cultural. E aí eu me inscrevi no curso de teatro e na época quem nos dava aulas era o James, quem me iniciou no teatro. Eu tive 1 ano de aula com o James e no ano seguinte quem veio dar aula pra gente, foi a Natália, que foi a primeira entrevistada. Eu fazia curso com ela, e tava rolando naquele mesmo período, depois de um ano com ela, um curso de improvisação dado pela Pita Belli. E era um curso onde as pessoas da Furb se inscreverem, a Natália também que era do grupo Fãs na época, e ela perguntou se eu não estava a fim de fazer. E naquela época o grupo de teatro, o curso ali das oficinas de adulto, tava muito escasso. Tinha um grupo de adolescentes e um de adulto, mas no de adulto tinham poucos participantes e eu era um dos poucos que estavam, éramos em três, e ela quis aproveitar. Falou que ia rolar um curso de improvisação, eu nem sabia o que era isso. Mas eu fui fazer o curso, tava gostando demais de fazer teatro. Eu me encontrei ali, ,e realizei ali, tava amando e me inscrevi. Cheguei lá, foi a primeira vez que conheci a Pita, não sabia nem quem ela era, tudo o que ela era. Esse foi meu primeiro contato com improvisação. Lá ela tava dando uma oficina de improvisação. Fui fazer um curso que era um fim de semana, direto com ela. Quando eu experimentei aquilo eu pensei, meu que interessante, que legal. Cheguei em casa fui ver vídeos, pesquisar, bater papo. Fazer umas brincadeiras, que quem começa na impro sempre faz. Ver os barbichas na internet, que são referência. Então eu comecei a entender o que era a linguagem da impro. Aí que aquela oficina resultou em outros projetos da improvisação


Acácia: e tu lembra o ano disso tudo?


Allan: lembro sim, foi em 2010, 2009. Eu fiz a oficina né e depois eu vieram outras coisas com o Fãs, que eu não imaginava também.


Acácia: essa oficina basicamente foi de jogos. A Pita deu uma introdução de jogos?


Allan: o primeiro dia nem teve tantos jogos, foram exercícios, tinha essas totalmente cruas ali. Então ela tava fazendo mais no sentido de a gente experimentar aquilo, de ver como era, experimentar a linguagem. Então tinha muito exercício no primeiro dia, pra se conhecer e entender o que é a impro, entender o que é a aceitação, entender o básico da improvisação. Então ela fez mitos exercícios pensando nesse básico.


Ester: e vocês chegaram a montar alguma cena naquele curso?


Allan: sim. A gente fez a oficina e no término dela era montar. A gente fez num ensaio aberto isso. No final da oficina o resultado era fazer um ensaio aberto de jogos. Eu tava como? Cagado.


Ester: pois é, queria se tu lembras da tua primeira cena, como fio tua primeira improvisação?


Allan: eu lembro eu tu fez uma cena com a Natália, que era livre, acho que o ema era parque. A gente fez uma cena no pedalinho, que era super romântico. Era engraçado porque a gente tava dentro do pedalinho e a gente tinha esse problema, a gente não conseguia visualizar direito o pedalinho, visualizar direito a cena, o espaço, a plataforma. A ente teve isso. Nem sabia o que era isso, esses termos vieram agora, são recentes. Na minha cabeça o pedalinho era fechado. Eu lembro que a Natália olhou pra cima e n´s estávamos nesse clima romântico, a gente olhou pra cima e ela disse: olha as estrelas. Eu falei, então é um pedalinho conversível, e aquilo virou uma piada e todos entenderam que era um pedalinho fechado na cabeça de um e aberto na cabeça de outro. Eu lembro que teve essa cena e é bem legal. Pra mim, quando veio essa brincadeira do objeto, do espaço e logo gerou o riso, de uma sensação de alívio, porque parece que o público ta te aceitando. Uma sensação de alívio, de estar indo pro caminho certo. Eu lembro que a gente tava só com roupa preta. Foi o resultado de uma oficina que a gente experimentou fazer um ensaio aberto, pra ver como aquilo ia funcionar com o público, porque na impro, o público é muito importante. Então fazer uma oficina que resultasse nessa experiência com o público, naquele momento, foi fundamental.


Acácia: e como foi, tu fez essa oficina com a Pita, e como foi que tu recebeu um convite, como foi que tu entrou pro grupo Fãs?


Allan: então, eu fiz o curso e pensei, fechou, fiz a oficina, acabou, como a gente faz vários cursos na vida. Fui pra minha casa, pra minha vida normal e na outra semana tinha ensaio com a Natália e ela falou que queria conversar com a gente, que a Pita queria conversar com a gente e aí então ela queria montar um grupo de estudo na improvisação a partir daquela oficina e como eu estava nela, acabei fazendo parte do grupo que ia partir dali estudar improvisação e também montar alguns espetáculos, fazer alguns espetáculos de improvisação, mas pelo grupo Fãs como ator convidado. Fui convidado mas não fazia parte do grupo.


Acácia: tu ainda não conhecia o grupo, tu conheceu ali na oficina?


Allan: sim, ali na oficina. Era eu, Talita, Lizi, Natália, Aline e o Ramon, Diego. Tinha bastante gente fazendo a oficina.


Acácia: a gente falou do Ramon nas três entrevistas, pra quem conheceu o Fãs, ele era o nosso músico. Ele cursava música na Furb, então a gente acabava conhecendo ali do bloco e a Pita chamou ele e foi muito legal o período em que a gente improvisou com um músico ao vivo, era muito diferente.


Allan: o Ramon ta parecendo o Lombardi, todo mundo fala e ninguém conhece.


Ester: eu mesmo não sei quem é o Ramon, todo mundo fala dele e eu não conheço.


Allan: uma coisa interessante sobre o Ramon, é que ele fez parte de todos os processos, de oficina, de exercícios. Mesmo antes de ele pegar o teclado, de ir pra música. Isso foi muito rico pra quando o instrumento veio a fazer parte da improvisação real mesmo. Antes ele fez parte de tudo como ator mesmo, como improvisador, isso foi fundamental pra quem conseguisse conceber o espetáculo através da música depois.


Acácia: sim, até que ele fazia as oficinas com os convidados que a Pita trazia, como Gustavo Miranda, ele sempre fez tudo. E tinham momentos em que ele entrava na cena, pra salvar alguma coisa, pra resolver, ele tava ali, ele entrava na cena, ou a gente chamava. Ele era um figurão que foi muito importante, muito legal trabalhar com ele.


Ester: eu lembro de uma coisa que tu sempre contou pra nós, pra quem quisesse ouvir, era como que foi a tua inserção dentro do Fãs porque eu lembro que tu começou a dizer uma vez que tu não tava exatamente improvisando como pessoal do Fãs, como elenco. Mas que tu tava sempre ali, talvez na técnica, alguma coisa. E aí teve um momento que a Pita te chamou pra entrar junto na cena. E não sei se tu podes desenvolver um pouco mais essa história aqui com a gente.


Allan: posso, eu to aqui pra isso. Na verdade é que o Fãs teve dois períodos, vale a pena dizer isso. O Fãs teve esse período que era um monte de gente. Acho que quando a Pita me chamou era nessa segunda etapa, porque a Pita é uma grande fomentadora de arte, mas principalmente da impro. Aqui da região ela e a grande culpada. A gente já fazia muitas apresentações, era bastante gente e depois ela percebeu, de alguma forma que seria interessante tentar reduzir um pouco o número do grupo pra que a gente pudesse aumentar a margem de conexão desse grupo. Isso é muito importante na improvisação. A gente trabalho o tempo inteiro em função do outro essa sincronia, ia atingir um sucesso maior se a gente tivesse um número menor. Essa era a maneira de ela pensar. Nesse período eu já tava fazendo as oficinas com o Fãs, ensaiando com eles como improvisador, mas como convidado e me chamou pra fazer alguns bicos ali no Fãs de teatro. Eles tinham outras peças, inclusive. Tinham um espetáculo que se chama Fãs, inclusive. E eu fiz a luz um dia. Ela disse que ia apresentar em Indaial e precisava alguém pra fazer a luz. Aí eu fiz nesse dia, eles ensaiaram comigo, ela me ensinou. Então eu tava com o grupo já fazendo essas coisas de bastidores, de técnica. E quando ela reduziu o grupo eu pensei, to fora. Porque era muita gente que eu admirava, muita gente boa. Aí ouve uma redução por conta disso, outras pessoas foram pra outros lugares, fazer outras coisas. Aí o grupo ficou menor e nesse período eu fui convidado pra faz parte desse grupo. Ficou só eu , Natália, Aline e Ramon. A gente tinha um desafio diferente, que nesse período a gente se apitava.


Acácia: vocês revezavam o apito?


Allan: então foi um outro lugar que eu experimentei. Até então no grupo maior, a gente apresentava com a Pita sendo mc, e ela apitava. E quando ela reduziu o grupo, ela não podia estar em todas as apresentações, ela tinha a agenda dela, professora da Furb, então começou a treinar a gente pra a gente revezar nesse apito. Quando dois estavam em cena, o terceiro estava fazendo o mc, pegando temas, conversando com a plateia e dirigindo aquele espetáculo.


Acácia: foi difícil, rolou ou vocês perceberam que não?


Allan: a gente percebeu que tinha uns no grupo que eram melhor que outros nisso. Eu sempre achei que a Natália era muito boa de apito, pois ela conseguiu comunicar muito bem com a plateia, ela conseguia perceber muito bem o que a plateia dava. Selecionar as coisas que aquilo contribuía pra que a gente fazia em cena também. Isso é importante. O mc tem que ter muita sensibilidade pra ouvido público, filtrar e dar uma bola que seja possível pra que a gente consiga jogar e esteja a vontade pra jogar. Isso que é o importante pro mc, olhar pra aquilo não só que agrade o público, mas que agrada o elenco, pois a final a gente precisa ta feliz pra improvisar.


Acácia: é bem legal a gente falar do mc, porque até então a gente só tava focando nos jogadores, mas de fato é muito legal do Alan lembrar, pois é o mc que maestra o jogo, ela que dá o tem do jogo, que finaliza o jogo. Se o mc perde o pé, a gente joga e pensa, podia ter acabado um pouquinho antes, ou podia ter estendido um pouco mais. O mc quando saca essa coisas, o jogo rola muito legal. Quando a gente confia no mc também. É legal de lembrar dessa coisa que é importantíssima do espetáculo acontecer.


Ester: vocês estavam jogando juntos e ouve esse momento de ato do grupo, parece que um foi saindo, outro também, até que ficou Aline e a Natália. Depois meio que parou. Eu sei que a Acácia entrou depois disso ainda, da debandada do pessoal.


Allan: esse período era o período que a gente apresentava no Bareco. A Ana acho que não pegou o Bareco, nesse período era um elenco grande, que a gente quase caia do palco, pois era um palco pequeno. Era pensado pro artista que é do stand-up, que é um artista só e de repente nós estava lá ocupando o espaço, com 8 pessoas.


Acácia: a gente tem uma pergunta do Guilherme, ele pergunta dos teus projetos atuais, se tu ainda fica nervoso. Mas daqui a pouco a gente faz essa pergunta. Ester, queres fazer alguma pergunta do Fãs, específico?


Ester: eu queria entender essa transição, mas acho que a gente ta fazendo isso. Dessa transição de como saiu do Fãs pro Remanescentes. Desse ato que aconteceu na tua vida. Mas acho que a gente já ta avançando pra isso.


Acácia: como foi esse passo? Como que acabou o Fãs, o que aconteceu? A gente ainda não falou sobre isso. E com a impro como foi, tu deixou o Fãs, como surgiu o Remanescentes?


Allan: o Fãs, acho que fiquei até 2013 por aí. Depois ele continuou sem mim, não sei muito como ficou após minha saída. Que a gente até tinha feito antes disso alguns estudos pra fazer long forme, mas acabei saindo porque era um período, a gente sabe que tá num lugar geograficamente falando, que viver da arte ainda é um complicado. Foi bem esse período de 2014 que eu resolvi abandonar a arte, pois eu não conseguia mas me manter financeiramente, través dos recursos que a gente tinha. A gente dependia de bilheteria. Em Gaspar a gente tem esse problema de espaço físico pra promover cultura. Pra apresentar em um lugar ti há que ser privado a vezes, sem condições de pagar o espaço. A bilheteria como que a gente ia se pagar. Foi um período que eu tive que sair. Ou me mantinha na arte ou pagava minhas contas. Tive que sair mesmo, não porque eu quis. A vida me levou pra isso. Fui trabalhar em empresa.


Acácia: mas o fãs continuou?


Alan: sim. Continuam apresentando, entraram novos músicos no elenco. Eu assisti apresentações que tinham esse formato, com músicos já. Tinha o Luiz, mais uma menina tocando. Eles experimentaram ouros instrumentos que não são o estereótipo da improvisação, que é o teclado. Eu achei muito interessante isso, que estamos tentando nos desvincular desses estereótipos o tempo todo. Foram experimentar novos instrumentos, novos músicos, novas sonoridades que eu achei muito legal. Aí ouve em Gaspar em 2016, um projeto pela assessoria da juventude, de mapeamento dos artistas da cidade. E o Jean da prefeitura me ligou, que era presidente da juventude naquela época mandou uma mensagem dizendo que estava fazendo um mapeamento dos artistas e dos músicos em geral e queria saber como eu estava. E falei que estava parado. Ele disse que queria fazer um cadastro pra saber onde eles estão. Eu fiz esse cadastro e uma semana depois ele ligou falando que teria uma virada cultural na cidade e queriam fazer só com artistas da cidade, por isso tinha feito o cadastro. Queria saber se eu tinha algo pra apresentar. E falei que estava parado, mas quanto tempo eu teria. Eu tava parado mas a arte que pulsa em mim respondeu, acho que dá. E foi isso, alei quanto tempo eu teria pra montar, vou montar uma esquete. Ele disse que eu tinha uma semana. Pensei em uma semana pra ensaiar texto, montar cenário, fazer figurino. Não rola. E nesse período o grupo de teatro da casa que tinha na cidade, já tinham ido pra Blumenau. E os amigos que eu fazia teatro ao longo da vida de Gaspar eu pensei, bom em uma semana talvez a ´nica coisa que de pra fazer se ensaiar todo dia se levar a ´serio, era um espetáculo com jogos de improvisação, que eu tinha passado muito tempo fazendo. Liguei pros amigos de Gaspar, o Jones, o Richard e o Tiago e falei que teria uma apresentação qui na cidade na virada cultural, eles convidaram, o que vocês acham? Vamos ensaiar, vamos fazer? Eles disseram sim. A gente ensaiou das 20:00 ás 00:00 todo dia. Afinal de contas tinha uma apresentação final de semana e era uma coisa muito importante, que era remunerada. Então era uma coisa que era muito bom, pensamos a princípio em brincar, exercitar, mas vai ser remunerado então vai ser muito bom pra gente. fizemos a apresentação, a plateia respondeu muito legal, a gente se olhou e falou, e agora, o que vamos fazer com isso que temos na mão? Vocês querem continuar, só fizemos pra ganhar uma grana, pra revisitar esse lugar da arte? Nos olhamos e falamos, vamos continuar. E continuamos e por isso o nome do grupo hoje é Remanescentes. Todos nós do grupo Remanescentes, daquele período, fizemos parte desse trabalho de teatro da casa das oficinas aqui de Gaspar, então é gente é remanescentes daquele projeto, somos fruto de tudo isso que aconteceu aqui. Por isso nos tornamos grupo de teatro Remanescentes. Isso em 2016.


Acácia: hoje em dia o Jones trabalha mais apitando no Remanescentes, a gente as vezes reveza, mas ele fica mais nesse papel.


Allan: na época também, ele que apitava.


Acácia: jogaram tu o Tiago e o Richard


Ester: eu lembro que todos vocês apitavam. Todos vocês tinham o apito. Todos vocês podiam intervir.


Allan: isso, na verdade o Jones era o mc, mas é isso. Como a gente tinha muito pouco tempo, então tinha uma grande margem de erro, afinal, eles disseram sim, foram muito corajosos os três, mas tiveram muito contato com teatro apesar da nossa base de toldos os exercícios que a Natália fez, vim desse caminho da improvisação, que ela usava da viola, do Jhonson nos nossos exercícios. Eles nunca tinha improvisado. Então eles disseram sim, de corajosos que foram. Eu disse, vamos todos ficar com o apito, pois numa emergência, o Jones não tinha experiência de mc ainda, numa emergência a gente apita.


Ester: e daí também rolou naquele ano um reencontro com a Pita, de treino.


Allan: rolou. Um dia eu estava m Blumenau como Robson, na época vocês estavam treinando improvisação com a Pita, esse grupo que eu passei a conhecer naquele dia. Era um grupo que estava pesquisando improvisação, e eu nem tinha conhecimento disso. E ele disse pra eu ficar em Blumenau, que teria ensaio de improvisação com a Pita.


Acácia: nessa época o Fãs não jogava mais ou jogava?


Allan: não jogava mais e não existia também


Ester: o Fãs pelo que eu entendi, ele acabou em 2015, isso?


Allan: eu saí em 2013, 2014, mas saí de tudo, não só do Fãs. E como o Fãs continuou, eu não sei como foi a história deles, só como espectador mesmo.


Acácia: e esse grupo era formado por acadêmicos daquele semestre né, acho que era algo assim, que se reuniam depois da aula e treinavam.


Ester: tinha o Robson que era de música e a galera da faculdade, e a gente juntou as pessoas que mais tinham vontade d continuar a fazer improvisação. O Brian, a Camila, a Angie, eu, o Pedro e o Antônio. Depois entraram alguns colegas e saiam. Mas era basicamente nós, a Acácia acabou jogando com a gente em 2016 e o pessoal do Remanescentes veio pra fazer a coisa acontecer e mostrar um lado mais profissional, da improvisação, pois pra nós era um lado muito acadêmico. Eu lembro daquele dia que o Alan veio jogar a primeira vez, eu estava muito nervosa. O homem da impro assim. A Pita sempre falava do Alan e sempre falava da piada da Dilma. Sempre falava como exemplo de algo genial que havia acontecido no palco. Eu tava muito nervosa que eu e Luis até nos atrasamos.


Acácia: pra quem não sabe, o Alan é conhecidíssimo em Gaspar. Ele é muito famoso na cidade, por ser ator e por ser essa pessoa maravilhosa que ele é. agora ele tem um canal no YouTube. Mas ele é muito conhecido mesmo em Gaspar. A mãe dele também é muito conhecida, talvez por isso também. Ele é famoso aqui pra gente. é uma referência muito importante. Mas vamos lá. Quero saber mais do Remanescentes, como que foi. Como que ele ta até hoje, 2016, estamos com 5 anos de Remanescentes então. Vocês pararam, continuaram direto, como foi a entrada de novos participantes?


Allan: é daí o Remanescentes, a partir do momento que a gente falou, vamos ser grupo, então vamos fazer direito. Vamos estudar. Nesse dia que fui com o Robson, assistir a Pita convidou pra participar do jogo, dos exercícios.


Ester: eu lembro disso, que agente conversou, que ficamos conversando até o ônibus de Gaspar ir embora.


Allan: o Remanescentes foi essa pegada. Como eu soube que tinha outro grupo treinando e era a Pita que estava treinando, eu falei, gente, já que a gente ta se propondo a estudar essa linguagem, vamos engatar isso aí. E depois que a gente decidiu se tornar grupo, a gente decidiu também estudar. A gente foi pedir pra Pita pra continuar participando dos ensaios deles, aí surgiu o match com eles. A gente ficou ensaiando e treinando isso. A gente decidiu que queria trazer alguém pra nos dar cursos também, além de treinar com a Pita foi ode entrou o Gustavo Miranda.


Acácia: que voltou né. Porque ele já tinha vindo na época do Fãs. Ele veio duas vezes pra cá, jogou com a gente. e aí e então ele volta.


Ester: o Gustavo eu me lembro, ele só veio em 2018. 2017 a gente ficou jogando nos apresentamos em vários lugares. Eu entrei pro elenco do Remanescentes pro jogo de improviso. Eu lembro que o Gustavo Miranda veio em agosto de 2018.


Acácia: Remanescentes foi pra Blumenau, começa a ensaiar com esse grupo que está começando. Mito legal falar um pouquinho do match. Pra quem não sabe, são jogos de improviso em que dois grupos se desafiam. A plateia escolha quem foi o melhor improvisador do jogo. É tipo uma competição. É um momento mito importante. Foi um momento muito importante aqui pra região, a gente jogou em Gaspar. Nessa ocasião eu tava junto, me convidaram. Foi um dos únicos match que teve, então é um momento importante pra gente aqui. Como era o nome do grupo? Tava a Angie, a Ester.. era o Pinóia. Jogamos contra o Remanescentes. Oi um momento bem importante. Lotamos quase o salão da igreja de Gaspar. O púbico adotou muito essa ideia, porque a gente já jogava, e agora a gente jogou uma gincana, uma competição.


Allan: partindo da tua pergunta do Remanescentes como andou. Ele andou nisso. A gente se propôs a estudar improvisação, e a gente se dedicou a isso. E oi estudando com a Pita. Inclusive quando a gente viu que tinha um outro grupo estudando em Blumenau, que era o Pinoia, na época, a gente conseguiu um espaço pra continuar apresentando, isso é algo muito importante pra que estuda improvisação, esse processo. Porque nunca v ata bom. A improvisação se trata muito mais do processo do que qualquer outra coisa. A gente queria se manter apresentando, estudando conquistar esse espaço na alvorada, fazia parte desse nosso objetivo. Inclusive nesse período de apresentação, a gente entende que seria importante, pros integrantes do Pinóia, participar com a gente nessa apresentação. E antes mesmo do match acontecer, alguns integrantes do Pinóia já tinha apresentado com a gente como artistas convidados, como o Luis, a Acácia e a Aline. Eu lembro que a gente fez uma cena que aqui ficou muito marcante, eu e tu Ana Acácia, que foi o abecedário, e o tema era bolacha maria, que eu nunca vou me esquecer disso.


Ester: eu só lembro daquela cena de eu e o Alan perdidos no vulcão. A Acácia entra de cachorro. Eu e o Alan paramos pra olhar. Eu não entendia nada.


Acácia: eu lembro da bolacha Maria, e foi na alvorada também.


Allan: a gente apresentou um período grande na alvorada. Tinha todas as quartas.


Acácia: então continua. Algumas pessoas saíram, outras entraram. Como o Remanescentes ta até hoje, de componentes e tal?


Alan: o primeiro que saiu foi o Richard, pois ele também tinha outro trabalho, não vivia só do Remanescentes. A maioria fazia isso, conciliava com outro trabalho. pra ele ficou pesado conciliar as duas coisas, e teve que sair. E a gente pra compor chamou a Karina, que é uma artista de Gaspar, ótima em contação d história. Ela fez parte. Logo depois a gente chamo o João Alves, que também apresentou com Gustavo Miranda. Aí depois Tiago sai que foi morar em outra cidade. Voltou a morar em Gaspar e voltamos a ter ele no elenco. A Acácia tava na Argentina, veio de lá pra Blumenau e como a gente já tinha treinado junto, apresentando junto, tínhamos feito alguns cursos juntos, de improvisação. Falamos, vamos aproveitar, chamamos Acácia, Ester, fomos agregando pessoas. Hoje o grupo é composto por mim, pelo Jones, Karina, Ester e Ana Acácia. Esse é o Remanescentes. A Ester foi do Pinóia, a Acácia foi do Fãs.. a gente é remanescentes disso tudo. Sobreviventes na impro.

Acácia: fala um pouco da nossa programação mensal. A gente é um grupo ativo, o Remanescentes e o Pinóia, aui da região, somos os únicos grupos atuantes. Pinóia ta mais nessa parte de pesquisa, de projeto, mas é um grupo da impro, que faz pela impro e traz a impro pra cidade. O Remanescentes a gente tá na prática do jogo. Fala um pouco da nossa agenda.


Allan: a ente tem inclusive, agora com a pandemia deu uma prejudicada, mas a gente tem um espaço no Garcia, num restaurante que a gente se apresenta mensalmente. Em função dessas apresentações a gente continua treinando. A gente procura ter uma agenda de treinamento que fique entre uma vez por semana de ensaios, ou quando a gente tem um apresentação que surge, a gente intensifica mais os treinos. A improvisação tem disso, a gente treina. As pessoas sempre perguntam, será eu algumas cenas acontecem de forma improvisada? Sim! A gente improvisa. Mas porque vocês ensaiam se é improvisado? Porque é isso, a gente precisa ir treinar pra que naquele momento a gente esteja num estado de jogo, numa afinação tão grande que a gente possa a vir fazer e realizar todas as cenas que nos propõe.


Acácia: é muito legal, pois a gente já se conhece a muito tempo, já trabalha muito juntos, com a Ester também, muito tempo pra cá, com o Alan um pouco mais. E é muito legal de pensar que o Remanescentes hoje em dia, além de um rupo atuante, é um grupo de pesquisa e reflexão sobre a impro. A gente teve muitos encontros on-line quando começou a pandemia. Nós estávamos num ápice de pesquisa, encontros, projetos. Continuamos a fazer isso on-line. É muito legal fazer essa troca com todos os companheiros, pois a gente termina o jogo e sempre reflete. A gente não é um grupo que se contenta com o que for. A gente tenta buscar sempre aprimorar o nosso jogo, a nossa dramaturgia. A gente ta num lugar em que a gente foca mais na dramaturgia do que na piada em si. É mito orgulho faze parte desse grupo, trabalhar com o Alan e com a Ester. É um grupo que tá aí pesquisando muito, a gente quer fazer muitos projetos aqui na região, se a pandemia nos permitir. O Remanescentes é isso, esse grupo.


Ester: além dos Remanescentes, pergunta do Guilherme. Fala um pouco mais dos projetos atuais.


Allan: com o Remanescentes a gente tá com dois projetos em andamento também viabilizado pela Li Aldir Blanc, que também é permeado por esse lugar da improvisação. A gente tem um que é improviso em fatos reais, onde a gente pega relatos das pessoas e transformamos elas em esquetes.


Acácia: relatos da pandemia


Allan: isso. O nosso trabalho de processo foi através da improvisação. Como que a gente improvisou cenas e depois escreveu e estruturou elas. E também tem um que se a gente pudesse mudar a história, é um projeto eu a gente colheu histórias. É uma cosa mais documental, fomos nas casas de algumas pessoas, ouvimos relatos, histórias de vida e fazemos a seguinte pergunta. Se a gente pudesse mudar alguma coisa nessa história, o que você mudaria. A partir dessa resposta a gente vi criar outros trabalhos, outras esquetes em cima do que essa pessoa mudaria. Também baseado na improvisação. E também pela lei Aldikr Banc, tem um projeto de contação de história, que eu estou sendo dirigido pela minha amiga Karina, que inclusive é contadora de história, que são contos africanos. São sois contos que a gente vai contar, depois amos disponibilizar esse material para a educação. A gente já gravou de forma digital, on-line. E eu são dois contos africanos que e to contando dirigido por ela. Estou me aventurando. ´minha primeira vez contando história. Esse é o projeto mais novo e que eu já fiz de mais diferente, acho. Tem também meu canal, que foi um projeto que também surgiu na pandemia. Eu parei um dia pra pensar em todas as coisas que eu consumo, são coisas eu as pessoas me indicaram, livros, séries.. então pensei, eu gosto muito de cozinhar, uma coisa que a minha casa ta sempre cheia, estou com amigos, gosto muito d receber as pessoas e de cozinhar. Aí tentei juntar um pouco do Alan improvisador, da arte, da indicação, e criei um cana que se chama Recomendo. Até também pra ajudar na pandemia na divulgação de alguns estabelecimentos que estavam sofrendo muito nesse período e pensei, porque não tentar juntar isso e criar um canal que possa recomendar lugares que sejam bons na cidade, de uma maneira mais engraçada, mais leve mais irreverente. E pra quem quiser conferir como fico isso, o nome do canal é Recomendo, no Youtube, pode lá acessar.


Ester: você foi a primeira pessoa, aliás, eu recebi meu primeiro cache na arte contigo.


Allan: a proposta aqui não é eu chorar né, para.


Ester: foi mesmo, das mãos do Allan. Foi durante o match, foi muito incrível, foi uma das experiências mais doidas e de adrenalina que eu já tive, já senti. Alan, tu ainda sente isso com a impo? Como é estar no palco pra ti?


Allan: a impro, é difícil pra mim falar, pois ´uma coisa que me emociona um pouco. Ela tem e gera em mim esse frescor o tempo inteiro estou quase 10 anos fazendo improvisação e pra mim é como se fosse a primeira vez, porque eu sinto isso cada vez que eu piso no palco. E o mais forte é que não se trata só de mim, isso que é o mais legal. Porque envolve um todo. Porque eu t no palco, mas quando eu piso no palco eu piso com vocês. E depois disso ainda tem o público. É quase uma filosofia de vida, eu só posso jogar se eu tiver o outro. Porque eu jogo pro outro. O que ela causa em mim. Vai ser sempre novo eu não sei o que tu tens pra me dar, o que o público tem pra me dar. E isso me da um desafio, uma felicidade, um renovo, cada vez que eu piso. Eu comecei na impro por acaso, mas é onde eu me realizo.


Ester: e tem alguma cena que pra ti seja marcante, nesse percurso todo?


Allan: tem muitos. O período que eu joguei com o Fãs teve muitas coisas marcantes, coisas engraçadas, inusitadas. O período que eu jogo com o remanescentes também. Eu acho que é muito legal, que todo mundo espera uma cena com final engraçado. E as cenas que mais me tocam, me marcam, são aduelas que não tem nenhuma pretensão de ser. Mas que o público entendeu a importância daquela cena, ou entendeu que ser engraçado ou não, não diminui em nada a potência da cena, isso pra mim é muito marcante. Teve uma cena que me marcou, que fiz com a Karina. Era uma cena que tinha um tema infantil e a gente ia entrar no castelo, que era o castelo encantado e ficamos na porta, apenas falando palavras, como se fosse poéticas, só poesia. E aquilo gerou um respiro, tu conseguia ouvir o público. Isso pra mim é bom demais. Porque além e conseguir por outro lugar, outro caminho era o público. É isso que a Acácia falou, o estudo da cena, da dramaturgia, não mais do riso. Porque não é o riso que a gente quer. A gente quer conseguir contar um história, mesmo que improvisada, conseguir contar juntos essa história e embalar o público nisso. Essa cena me marcou bastante. As eleições da Dilma tabém me marcou. Mas essa da Karina, eu ouvir o respiro da plateia foi sensacional


Acácia: esse dia do castelo, foi sensacional, nem sempre a gente tem crianças no público do Pitada, que é um restaurante, mas o espetáculo é livre. Claro que quando não vai criança a gente dá umas pitadinhas. Mas nesse dia tinha e o tema foi dado por uma criança e foi muito especial, porque a história se deu toda e o público adulto tava tão dentro, porque foi muito legal. E eu quero falar da eleições da Dilma, porque o Alan é um improvisador da sacada. Ele e muito bom em sacada, em juntar a história. As vezes a gente se perde na cena, ele consegue juntar. El e muito bom na dramaturgia, mas ele é excepcional na sacada. E o eleições da Dilma, naquela época, agente era jogadores muito diferentes, mas a gente tinha uma regra que não falava de política, sexualidade, alguns temas que podem gerar polêmicas e não vai conseguir desenvolver no jogo e tava no auge das eleições da Dilma, o público lotado na fundação cultural de Blumenau falou, o tema é eleições da Dilma. A história se foi dando, aquela época era um elenco maior, eu tava na plateia, eu lembro muito disso. A história tava se dando por um outro viés, ninguém falou de eleições, de nada. Era uma história totalmente diferente. Acho que era uma mãe com muitas crianças pedindo alguma coisa.


Allan: era a Natália. Isso que é mais interessante da impro, é que a gente joga pelo outro mas é um jogo de confiança muito grande. A gente não sabe pra onde o outro vai, mas a gente vai com ele. Ninguém deixa ninguém sozinho. A gente brinca antes de cada espetáculo que, eu te cubro, se acontecer qualquer coisa eu te cubro. E naquele dia a Natália foi muito na minha. Só sei que no final da cena a Natália tava grávida de gêmeos. E a gente não podia falar de política nem nada. Eu peguei só a frase, daí eu disse assim, esses filhos não são meus e ela falou, eles são da Dilma. Esse foi o final da cena.

Acácia: ninguém esperava por aquilo. A história foi pra um lado totalmente diferente, acho que ninguém nem lembrava mais do tema e aí ele saca essa. Marcou todo mundo, tava lotado e foi muito engraçado. O Alan é um ,jogador de sacadas.


Allan: mas vale a pena dizer que a Natália confiou.


Acácia: a Natália é sensacional.


Ester: porque é muito difícil quando se trata de temas tão delicados que o público quer ver acontecer, mas tem que talvez tentar manter uma certa neutralidade. Isso sempre foi uma marca muito daqui.


Acácia: a gente dá as nossas pitadas do que a gente quer, acredita.de que maneira a gente consegue lidar. Essa são as pesquisas que a gente tem, muito plantadas pela Pita, mas que o Remanescentes tem de como tratar certos temas.


Allan: por isso que a sala de ensaio é tão importante na ipro. A gente experimenta muita coisa, brinca bastante, pra que na hora a gente esteja afinado pra lidar com isso. O treino é uma coisa, as pessoas treinam pra jogar e a gente como tem um jogo, também treina pra jogar.


Ester: um depoimento do Luis, me marcou na fundação cultural de Blumenau, estava rolando algo meio “macumba” e o Alan tirou do bolso um bilhete escrito: a Xu vai vir. Foi muito coincidência. Me marcou muito

Acácia: o Luis é um público da época em que a gente fazia no pequeno auditório da fundação de cultura. Era um público muito cativo. Tinha essa figuras que sempre iam.


Alan: obrigado Luis


Ester: Pergunta do Sidney: queria saber o jogo favorito e o que o Alan não curte muito jogar


Allan: de jogo de treino que eu gosto, eu gosto muito do posso pode, desses exercícios que a gente se olha. Gosto do fui, não gosto daqueles que a gente tem que olhar pra uma coisa e dizer outra coisa, que tenho essa dificuldade de desassociar. Eu gosto muito do jogo do quadrado. Gosto muito desse lugar de que a plateia vem experimentar um pouco do que a gente vive, o jogo que a plateia az o som. Que eles pegam o microfone pra fazer todos os sons que a cena tem que ter. eu gosto desse lugar de dar pra plateia esse friozinho na barriga. Basicamente eu acho que cada jogo tem o seu lugar. Eu gosto de jogar. Tem uns que me causam um pouco mais de frio na barriga, outros não, mas eu gosto de jogar.


Ester: tem muito dentro dessa lógica, tem alguma impro que você gostaria de esquecer, alguma cena? Pergunta Luis.


Allan: sim, muito. É um lugar, a improvisação que se tu não gosta de errar, vai fazer outra coisa. E é um caminho de erro. A gente erra muito. Porque é processo, e a gente, hoje, na sala de ensaio, aborda muitos temas. Acontecem muitas coisas na sala de ensaio que a gente pensa, se isso acontecer no palco, a gente deve seguir outros caminhos. Tem muitas escolhas que a gente fez no caminho que eu não faria mais. É uma coisa que a gente não quer machucar o outro, não quer ir nessa conta mão. Então muita coisa eu não faria mais. Cenas que e gente sabe que foi preconceituoso, talvez homofóbicos, talvez gordofóbicos.


Acácia: a gente no começo ficava muito no estereótipo. Eu lembro que ia fazer uma menina, colocava um laço na cabeça. E hoje em dia, como a gente vem revendo isso.


Allan: a gente vem lapidando isso. A gente quer promover a arte, o riso, mas é muito importante saber, através de que e como. Então não é mais só o riso pelo riso. A improvisação é um lugar de muito erro, mas é lindo quando a gente consegue, mesmo a través de improvisação criar momentos como esse eu a gente falou. Tem mitos que através do riso, da inspiração, ou fazer a pessoa olhar de outra forma, olhar a partir de outro ângulo. Se arrepender muito. Mas faz parte do processo e hoje a gente ta nesse lugar, o grupo ta nesse lugar que se preocupa de que a gente fala e como aquilo vai ser lido também. Hoje a primeira ideia não é aquilo que a gente usa, porque nem sempre é a melhor não.

Acácia: o Luis tambem jogou com a gente, e eu não lembrava disso. Ele é um músico muito perspicaz. É um músico que vai por outras vertentes, não vai no lógico. Ele é imprevisível. Agora ele falando eu lembrei de tudo, foi uma época muito imprevisível. Ele jogava com coisas que a gente não tava esperando, ele não vinha só acompanhar cenas, ele vinha quebrando a expectativa, a linearidade foi um momento muito bom.


Allan: é muito bom quando tem isso, quando quebra esse ritmo. Te coloca nesse lugar o tempo inteiro, porque tu se põe nesse lugar, a gente se exige. Cada vez que a gente pisa no palco, a ente se coloca nesse lugar de tentar trazer algo através da espontaneidade. As vezes a gente por si só não consegue e vem outro amigo e nos dá.


Acácia: o Luis Holl ficou com a gente como músico do Fãs.


Allan: eu também fazia na época algumas piadas, quando tinha alguma temática com pele negra eu entrava, porque eu achava que eu tinha esse lugar pra falar. Mas hoje eu acho que por isso eu não deva falar. Porque senão reforça pra muitas pessoas, dar o álibe. Ele tá fazendo agora, eu tenho o hálibe.


Ester: esse lugar da impro, é um tema que a gente tem eu desenvolver cada vez mais. Parar de pensar sobre a técnica e começar a falar sobre o que que a gente tem. Isso é muito importante.


Allan: sim, o sobre é muito importante. A gente como grupo, ta nesse lugar hoje, do sobre.


Acácia: a gente podia ficar aqui horas e horas. Por mais que a gente se conhece tanto tempo, é tão bom rever, lembrar, saber de coisas que a gente não sabia. Eu não sabia direito como começou o Remanescentes, porque eu não tava muito nessa época na área da impro. Foi muito legal de ouvir. Queria agradecer de novo, imensamente Alan. Não poderia terminar essa primeira etapa do processo sem estar aqui conversando contigo. Tu és uma pessoa muito importante, não só na improvisação, mas no teatro aqui da região. Tu é um ator, um artista muito importante pra gente. a gente fica muito feliz de te ter aqui. Agradecer muitíssimo a Ester que através do Pinóia operários da impro, que é um grupo importantíssimo aui na região, que tá trazendo essa busca na memória. A Ester tem um projeto aprovado através do Pinóia, que vai oferecer um festival de impro aqui na cidade. Então assim que a gente se normalizar, a gente vai ter com muitos convidados, oficinas com um monte de coisas. O Pinóia é esse grupo que ta fomentando e nos bastidores trazendo muita coisa pra gente aqui na impro. Muito obrigada Juliana Gatto, por fazer toda nossa arte gráfica. Ela trabalha as loucuras das nossa cabeças, ela coloca em prática. E todos que estão conosco. Luis ta falando aqui que o Alan arrasa.


Allan: foi um prazer jogar com Lis naquele dia. Ele é um excelente improvisador. Gente muito obrigado. Quero agradecer. Dizer o quanto é importante esse projeto de vocês, é fundamental. Quando eu comecei a improvisação era tudo mato. A gente não tinha referência nenhuma. Como é importante ter um trabalho como esse, que possam dar sequência a outros trabalhos. Aprendi muito com as conversas dos meu antecessores, a Nati, o Sid. Por isso é importante ter material como esse registrado, pra que outras pessoas possam vir a aprender e trocar com a gente. e pra quem quiser também, fazer impro no futuro, ter isso disponível.


Ester: agradecer a Ana Acácia. Sem a eloquência dela, sem toa a disponibilidade, essa paciência, essa persistência. Sem ela não teria ido pra frente. Eu só tenho a agradecer muito. Agradecer por ter acreditado nisso.


Acácia: é recíproco tudo isso. A gente se baba ovo porque a gente se gosta e tá em época de dizer de quem a gente gosta, então vamos dizer.


Allan: vão ver, assistir elas improvisar, pois elas são sensacionais.


Acácia: dizer que tem projeto aí o onibrião que eu to louca pra lançar com o Alan, que a Ester também vai participar. Que tem a ver com apalhaçaria, com improvisação, mas não vamos dar espoiler. Mas quero tirar ele das idéias. Obrigada a todas as pessoas que fazem parte, que fizeram parte da história da impro. Agradecer demais a Pita, porque, como o Alan falou, a Pita é nossa terra, onde foi plantada. Nossa água, nosso adubo. Eu acho que a Pita ta aí capinando esse mato, que o Alan falou, e muitos grupos, muita improvisação se desenvolveu a partir do trabalho e pesquisa dela.


Allan: beijo gente.


Entrevista realizada no dia 28/02/2021.

Projeto viabilizado por meio da Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc (Lei nº14.017/2020) no município de Blumenau.


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